27 junho 2011

Caminho de Volta



Pressentia a chuva que vinha
Tombando árvores, roubando telhados
Visíveis e invisíveis.

Os pés encharcados de água
E peixes miúdos avançavam
Manchando o chão de luzes
E respingos prateados.

Dentro do coração, os poemas
Nasciam com ecos,
Confessando um novo amor.
Um que já existia escondido
Na substância da chuva e
No hálito dos pássaros.

Vivia dentro das constelações,
Alucinado para voltar ao que era seu.
O futuro era um corpo celestial
Feito de pequenas luzes
Que marcavam o caminho da volta.

O ritual transpassava a tempestade,
Deixando o eco de sua voz arredondado
Como trombetas que chegam com
O som dos relâmpagos.

Ajoelhei-me pedindo perdão
Pelas luas infinitas de separação,
Pelas ilusões perdidas no mundo
Imaginário que escolhi viver.

Quando você entrou em meu corpo,
Invadindo-me por todos os lados,
Derrubando tudo que falsamente resplandecia,
Eu estava de braços abertos e nua.

Você conheceu os meus aposentos mais secretos.
Toda a minha espera foi banhada de liquens e musgos.
Fui adornada de folhas de crisântemos,
Enquanto bebia de sua transparência e
De seu cálice de néctar por todas as noites.
E foi assim até o fim dos nossos dias.


.



Amo um amor desconhecido,
Amo um amor qualquer perdido,
Amo por amar,
Amo por viver,
Amor de quatro letras,
Amor de tantas estações,
Faça chuva ou faça sol,
Lá está você livremente na brisa,
Acenando alguns beijos e
Dizendo-me com os olhos,
Já volto...
Todos os dias, todas noites,
Num pensar transeunte casual,
Ou num vagar aleatório apressado,
Ou até num paradoxal nada profundo,
Onde nada encontro senão restos passados,
E lá estará você me estendendo suas mãos,
Acariciando meus olhos cansados,
Diria-me mil coisas em pleno silêncio,
Por que corres?qual sua pressa?Para onde irás?
No amor não existe tempo nem distância,
O amor é um grande segredo que todos sabem que existe,
Mas são poucos os que conseguem compreende-lo,
Vive-lo, sentí-lo, percebe-lo…
Amo assim simplesmente,
Ouvi falar que outros não amam,
Vivem por assistir suas hipocrisias pela TV,
Mas a realidade é sempre absurda...
QUE????SURDA???
ABSURDA!!!!
SURDA É TUA MÃE....
Amo distraidamente,
Amo um amor qualquer que desconheço,
Sem pressa, sem medo, sem distância,
Apenas amores, peles e arrepios...


26 junho 2011

*



Existe uma estrela
que olha e pisca pra mim!

Às vezes ela abre os braços
e de tão mansos
me encoraja assim.

Ao ponto de minhas mãos
unirem-se às dela
e, num só brilho soltar risos
tal qual lírios sobre os campos
e, dos dedos verter versos
sobre folha em branco
um capim sem fim!


Na marina, enxergo barcos, enxergo vidas



Marina?
Da constelação de netuno, prima
Ao cais de porto, teu rosto roto
Pesca a minha obra prima

Marina?
Exergo barcos, enxergo vidas
Não há navios suficientes
A terceira ilha da minha vasta baia

Linda, da pele mais fina
És mais rainha que todas as rainhas!
Mais ouro que a jóia de todas as Josefinas
Te vejo na praia
Ainda

Talvez seja tempo em contratempo
Puxar o mar, em contramar
Na contramão das mãos
Que nossos cais se tocaram

Uma vez, ancoradouro que sou
Patético, por amor
Te vi, de claro e doce fragor
Me decidi

Marina?
Quase tudo que a gente não conhece
Viaja no tempo, viaja nas horas
Para se encolher em seus braços

Marina?
Colcha de retalhos
Meu reflexo no mar
Seus olhos a me embalar
Nas noites de solidão

Marina...
Mal me quer, bem me quer
Recebe tantos barcos, recebe tantas vidas
E continua pura, linda, intacta
Como sempre, és

Marina.


.



Tem dias que escrevo tardes,
Meio outonais...
Destas de folhas secas pelos caminhos,
Parecem meio tristes...
Mas são apenas folhas,
Deixadas pelo papel...

Tem dias que escrevo manhãs,
Primaveris por acaso,
Com flores nascendo preguiçosas,
Pelos arredores de nossos olhares,
Alegres, felizes e carinhosas,
Ao sabor das xícaras de café...

Tem dias que escrevo noites,
Lembrando invernos frios,
Cheios de saudades e aconchegos,
São silenciosas e distantes,
Como estrelas cadentes por contar...

Tem dias que nada escrevo,
Fico pensando em nossos verões,
Quando deixávamos pegadas pela areia...
Eram apenas rastros de amor,
Que a maré do tempo irá permanecer...


( Que-bra-diço)



Correm-as-palavras!
Roem! As! Pa-lavras!
A dor entrando em tudo que é canto...
Ardor penetrando em todos os encantos...

Doem os pensamentos
Moem os questionamentos
Cada nada cada tudo cada saco de tatu...
Cada! Cada...

Molham argamassa
Pedra sempre pedra
Madeiras, tacos de de bilhar

Luar do milharal !
Pobre é do meu quintal...
Viu a lua, viu o sol, e não o fim: fa-tal.
...


Self'



Sinta apertar, o pulso grita
Sinta desfalecer, a mão é fria
Sinta ruborizar, a vida, é tudo o que possuímos...

Sinta morrer, o tédio é um suplício
Sinta crescer, experimente uma dádiva
Sinta viver, a vontade é maior que tudo

Sinta deixar, o que realmente vale à pena
Sinta preocupar, tudo aquilo que possa te fazer algum bem
Sinta, é mais fácil ir...

Sinta, apenas sinta
Sinta o que você mesmo pode proporcionar ao seu próprio-self*.

*Chame de liberação, ou frustração. Eu nem mesmo sei o por quê de ainda me importar. Vivendo e vivendo; a vida é tudo o que eu mesmo posso me proporcionar.


Contradição



Emoções criadas por uma perspectiva inovadora
O Romance ainda não acabou
O futuro visto de uma vista completamente amadora
Foi aonde tudo começou

A verdadeira face do homem esta em seu amor
E o romance ainda não deve acabar
Corroborou-se sentimentos de um homem amador
Será aonde tudo pode começar

Amar, morrer de amor e continuar vivendo
O paradoxo está travando guerra com a razão
O meu mundo vive sua própria confusão
E tudo que há nele está sofrendo

O amor soa como uma simples ilusão
Mas sua simplicidade nos mostra suas riquezas
Procurando pela verdade além da bitolaçao
Quero tentar resistir ao esplendor da tristeza.


.



Brindávamos rosas
Ao cair da tarde,
Era um dia casual
De brisa romântica,
E amenidades soberbas,
Você chegou em sorrateiros
Risos de abraço,
E o tempo fluía feito
Pipa ao sabor dos ventos,
Esquecemos de tudo,
Até de nós...


Insensatez



Sentindo na garganta a paixão queimar
Fel que traz a cura e dá sustância
Tsunami de alento em abundância
Sinto que sou escravo do próprio amar.

Por vezes um rei sem meu reinado
Por horas cão, sem osso e dono
Ama sem carecer ser tampouco amado
Doa a alma velando seu doce sono.

Mas na inocência de uma criança
Vi-me protegido do mel ao favo
Por fim cobrindo-me o corpo de esperança.

E o fardo que carrego sem rezinga
A insensatez do meu ato, sangue que pinga
Fazem poças, sujam as mãos que já não lavo.


O verbo do meu presente



A palavra é algo que nem consigo perceber: sai de mim apenas.
Como núvens que vagam no céu,
a gravidade e a metafísica,
Ela transborda de mim e cai no papel
Palavrar é o que me resta e hoje é minha sina.

Mas não palavro da maneira que se deve palavrar
Não entendo muito de palavreado
Eu palavro o quero
Palavro sobre mim
Palavro da maneira que melhor caber a mim.
Palavro para aliviar e transformar a dor,
Para fugir e esquecer,
Palavro para esvaziar e não mais caber.

Só a palavra consegue refletir, em imagem concreta,
o que se passa na minha alma inquieta.
Falar e se expressar ao mesmo tempo, às vezes, é algo difícil demais de se fazer

Mas não gosto de sempre palavrar. Longe de mim!
A palavra é como uma droga: quando a uso, do mundo me vejo fora.
Mas o que fazer, se meu corpo palavra, minha alma palavra, e eu transcedo quando nas linhas me perco?


"PRESENTE"



Não há promessas
nem futuro
entre nós.

Apenas o presente
.
Nada de compromissos,
apenas uma dádiva gratuíta
que nada espera, nada exige.

Não há projetos em comum,
somos apenas duas pessoas
que quase se desconhecem
e, por instantes se encontram
na vertigem do presente.


.



Paradoxos intrusos chegaram,
Sentaram-se em cadeiras sem pernas,
E prosearam sobre seus conflitos matinais,
E suas verrugas sentimentais...
Já na tarde amornada do jazz,
Ensaiaram alguns olhares,
Desejavam sentir outras adjacências,
Amores e afins...
Quando então perceberam,
Bem no meio de suas convictas bestialidades,
Uma brecha sucinta sem-vergonha surgindo,
De idéias e palavras mais ou menos despidas,
Mostrando coxas e seios em cenas explícitas de ternas baixezas,
Expondo enfim suas peles enrugadas e cansadas...


.



O mastro está a meia bandeira,
O maestro sorri meio em dó-menor,
O rastro silencia a meias palavras,
O destro segreda seus meios termos,
A moça respira suas meias verdades,
A melodia respira meio tons,
A flor acena meia pétala de adeus,
A estrada redesenha seus meios-fios,
E o olhar nu decifra seus meios verões,
E na varanda antiga encontro suas metades felizes,
E no varal suas meias descansam em serenatas,
E a janela por fim respira inteiras saudades...


"PARA NÃO DIZER ADEUS"



Apenas mais uma palavra
declinadamente nua
me despedindo da lua
lhe devolver o sangue,
os morangos não colhidos
e a gémea confluência
da memória dos sentidos



Di'Amante



O que eu não sei me escapa
e o pó do tapete me desfaz.
Noturnalmente, galopo feito raio
rompendo nuvens ao meio.
...Se pelo menos inundasse um pingo
me anoitecendo em azul...!

Ah!
Eu cantaria uma estrela
e a cor da minha dor inverteria.

Encontro-me numa complexidade
e mesmo que tudo se esgote
apenas um fragmento dele me rebrilha.
Mas, ele não entende...
o reflexo da sua preciosidade!...


23 junho 2011

LA FEMME

Bela mulher
Travessia de prazer
Amor de repente
Ardente
Caliente

Linda fêmea
Com a pele dourada
Endiabrada
Imponente
Onipresente
Não fica cansada

Garota fatal
Com jeito imoral
Desapegada
Imensamente humorada
Sexo animal

Vadia safada
Com emprego na Lapa
Exercitava seus vícios
Vomitando sacrifícios
Puro ossos do ofício
Querendo ser imaculada
Para muitos uma "nada"
No seu mundo de hospício

É o que quer
Bela mulher
De alma e carnal
Garota fatal
Largada a berlinda
Fêmea linda
Na horizontal



De seu amado


Os traços leves de teu rosto
Combinam com meu o gosto
Assim como a noite combinou
Às estrelas e lua que nos velou

E esta tua saudade minha querida
Também se faz presente em mim
E se não te digo, é porque enfim
Não temos encontro, só despedida

E eu não quero ver-te presa e só
Ao meu castelo de folhas fracas
Que ao invés de base, dá-lhe pó
E que o vento cortaria feito faca

E tal poesia pobre, é porque é triste
Me amas e se diz feliz, eu choro por ti!
Que quer guardar-me em toda parte
E só cabem as promessas que ouvis-te!


22 junho 2011

Noites Adamantinas



Olhos me vigiavam todas as noites,
Flutuando dentro de um rosto jovem e inquieto.
Perfil esculpido de ritos e lumes,
Sufocado de pequenas palavras e lágrimas fugidias,
Respirava um ar petrificado de homem que espera.

O templo de trevas e dentes
Sacudia suas muralhas de pedras verdes.
Uma argila densa e estruturada o encobria.
O vaso do esquecimento prendia o seu corpo
No fundo da noite com as mãos atadas por cipós.

Procurei por muito tempo esse homem
Que me entoara o canto lunar, e falava da
Luz planetária que pairava sob minha cabeça.
Cobriu-me muitas noites com o manto tecido
Por anéis de fumaça dos sonhos.

Trazia na boca as palavras dos adivinhos
E dizia que em meu corpo o amor cabia inteiro.
Lentamente desenhava, com sangue e terra,
Poemas sobre um lugar de cores e música,
Fazendo nossas vidas se estamparem
De pirilampos e noites adamantinas.


POEMA INTERMITENTE



Tuas caladas mãos
desenham gritos
infinitos nas crateras
da minha existência

Não acenam, nem acariciam
a dor desta saudade

Sinto o furor
de uma angústia surda
por não poder libertar
a rasgada espuma dos ventos
sobre meu corpo de náufraga.

Meu trono é de solidão
e de incerteza
ainda que a leveza desta mágoa
seja como a água
que indelévelmente
separa o cordão umbilical
do sémen da esperança
que teima em nos habitar.
E
nem as palavras
seguram mais o dique
impetuoso
do dia a dia
do nosso querer
pleno de intermitências

18 junho 2011

16 junho 2011

.



Junto cacos refém me visto,
Não possuo nada,
Apenas a mim,
Alguém mais?
Talvez teus olhares,
Essa melodia dita em imagens,
Vou-me ao ficar,
O rio corre em prantos,
Nossa foto ainda sorri,
Talvez faça sol,
Ou chova corações,
Não me espere,
Chegarei depois do tarde,
Por certo estarei apenas só,
Vestindo meu silêncio sorrateiro...


.



Revoadas amadas...
Aconchegos quintais de infância,
Quando flertava pelos sonhos,
Com meus tímidos risos de garoto,
Que por vezes ainda hoje recordo,
Para saborear daqueles tempos vividos,
E perceber que o mesmo riso permanece,
Nas paisagens que hoje avisto...


15 junho 2011

Sonhos Possíveis


Se pó é mar
vivo a poemar!

Posso tocar o sol
e apagar o beijo negro
da face do amor.

Posso acariciar a lua
e despetalar a camélia
da madrugada.

Posso engasgar o tempo
passando a língua no pescoço da ampulheta...!

E com saudável precaução
posso acender estrelas
e, respirar poesia!

Prelúdio da Queda


Leve-me para baixo
Arraste-me para o chão
Deixe-me lá, distante

Sagrado céu escurecido
Por que tão baixo
Reza contundente
Por que tão baixo...

Sombras, tormento eterno

A morte, enfim chegou
Tão lentamente
Você consegue ver o inimigo
Acabou...
Sobrou apenas a falta de fé desacreditada

Leve-me para baixo
Derrube-me lá embaixo
Enterre-me mais uma vez
Naquela sua distante terra santa

Nunca para o maldito...

No ar, vida é revelada
Às chances, eventos, discernimento amontoado
Regras...
Vida ordenada, ordinária
Seca até o último instante

Derrube-me de novo
Abrace-me agora, neste pequeno segundo

Prelúdio da queda
Não correrei mais de você
Meu prelúdio da queda
Não fugirei mais de você.


º



Eu poderia sentir aquilo
Para sempre
Era só fechar bem densamente os olhos
E escutar a música
Saltitava para não a seu lado
Mas instantes antes
Quando os olhares se trocavam
Depois da distância dos metros
E dos segundos
Então ficava feliz, meu deus
Era um interior do interior
Tão diverso, múltiplo, cancioneiro
Que a mim hoje se tornou opaco
Mas também
Se fechava os olhos naquela época
Eu não enxergava mais nada
Só enxergava aquilo
E a realidade toda, me bastava
Hoje
As realidades não me bastam tanto
Quero sonhar denovo
( e nesse caso)
Sou mais ser humano do que dantes...

Calculando os riscos
Ou não


TEMPO DE GIRASSÓIS



Sob o altar da tarde
se incendeiam labaredas
fogos, incensos e canticos
num despique entre pássaros
grilos e homens

e,
antes que o crepúsculo
tombe sobre a terra
se erguem em mística oração
girassóis gloriosos
e radiantes em sua prece
interminável

Pura ressonãncia do tempo
de telas, de ânsias e de fontes
ou
o admirável silêncio
dessa flor adorável
que em volta do sol
Gira misteriosamente
Gira!
Gira!
Girassol


Roubar-te



Quero roubar o mel 
dos teus olhos 

pintá-los de violinos 
e escutar neles  
o som dos deuses, 
avé-Marias e sinos 
na catedral do coração 

Prender teus pulsos finos 
algemados em meu corpo 
e teus cabelos cheiros. 


Respirar a lua e a noite 

pura evasão dos sentidos

14 junho 2011

Madrigal



Você me desfez, no ébrio e doce som do destino
Estamos cansados, mas livres de tudo
Você me desfez, na brilhante e refinada luz no final do túnel
Estamos cansados, mas livres de todos

A canção noturna está sendo tocada
Lá adiante, em cima das nuvens
Ela está lá esperando por mim, por nós
Ébrio, brilhante, doce...
- luz e som

Você se foi junto com o ar matinal
E eu fiquei, acompanhando o luar soturno
O limiar sagrado das almas desfocadas

Fui levado para longe
Deitado gentilmente em uma poça
Fui levado de mim, roubado de mim
E fui desaparecendo...
Desvanecendo em um cuidado delicado

Esta foi a minha nova noite
O cheiro de vinho, o calor do verão
Impregnados em mim...
Meu solícito e confuso pesar de solidão.


12 junho 2011

A Minha Voz



Ouça a minha voz
Que te fala com brandura.
Leve-a contigo,
No coração e na boca.

Fale por mim quando
Estiveres com os teus.
Diga com a minha voz
Sobre a distância dos caminhos,
E do silêncio que mora
Na alma das coisas.

Fale sobre os minutos
E o indecifrável tempo.
Diga que a solidão é líquida,
E preenche um oceano.

Fale dos raios e dos trovões,
Que açoitam como um chicote
O céu tenebroso e sombrio.

Sobre os negros insetos
Que adivinham o sangue
Nos corpos distraídos.

Que não resta mais nada
Sobre o céu.
Que só ficou um pó agonizante
Espalhado pelo vento.

Que o sabor amargo da vida
Deslizou para o centro de um corpo,
E que olhos viram
Dois seres perdidos, sem direção.


Línguagem Silenciosa



Eu vejo você
Todos os dias, todas às noites
Eu vejo você, através de sua janela escura
Eu não queria ver – eu juro que não, mas é mais forte do que eu
Eu só queria poder oferecer palavras....

Eu sei onde você vive
Sei qual a sua escuridão preferida
Gosto de ver você indo dormir, sonhar
Amputei meu coração - ele ainda bate, se alimenta de sua imagem
E o enviei para você, mesmo estando longe
Mas nosso sangue, de alguma forma, está conectado
Talvez para sempre, talvez até o fim dessa noite

Vamos encarar o silêncio
Absoluto, como uma luz enfada
Aquela através das cortinas de seus olhos

O veneno corrói, corrói tudo por dentro
E, a falta, sintetiza tudo que sinto internamente
Tudo está lento, mas eu continuo
Tudo está lento, penso em desistir

Tudo está doendo, cada parte, cada ínfima parte
Como a mordida que você deu em meu coração
E a ferida que vai sempre estar aqui, em minha alma.


Imensidão


Há uma imensidão em mim
Há um mar dentro de meu ser
Será ti meu escravo a meu bel prazer?
Seria eu tua, no oceano de teus braços,enfim?
Tu, com sorriso magistral
Que quebra meu sepulcrante astral
Pergunta para o fim:
- Há em ti mais imensidão que em mim?
Eu respondo duro
Corriqueiro
Inquieto
Como se realmente um mar, agitasse eacalmasse meu ser
Com suas retas e tortuosas ondas
Quero ter-te como ondas nesta minha vasta imensidão
Quero seus beijos na areia do meu mar
Quero ser a vasta imensidão do teu ser
Mas tu há de morrer
Se assim o fizer
Pende o corpo sobre o mar
E deixe-o assim, lento naufragar...


.



                            Nu absorvo risos, 
Que me fazem voar, 
Até os jardins esquecidos, 
Onde a tempos deixei uma semente... 
Nunca mais voltei por lá, 
E hoje quando escutei tua voz, 
Percebi a bela flor,  
Que um dia imaginei...


11 junho 2011

Wild world

Fragilidade


Impulsos, descontroles, devaneios,
todos de encontro a todos se atirando,
os potes da loucura transbordando
porque já não aguentam estar cheios.

Viver consigo mesmo requer meios
que a falta de caráter, sabotando,
vai muito mais do que dificultando,
quando oferece à vida estes passeios.

Uma alegria de almanaque, falsa,
mais uma liberdade mentirosa
passeiam de mãos dadas, trocam juras.

Fragilidade que se põe descalça
cortando os pés em pedras cor de rosa
para curar feridas mais escuras.
11.06.2011

07 junho 2011

Final dos tempos



No final dos tempos o que irá acontecer
Vão queimar as letras, vão deixar sinais
Tudo que foi entendido e o que está por entender
Tudo ficará para trás

Coisas abstratas ou não
Poemas acabados ou não
Vamos deixar nossa marca
Quero por a mão

Faço uma poesia para você
Rimos o versos que for
Tudo sei que irá resolver
Leio para aliviar a dor

Se o fim do mundo está próximo
Então começo a escrever
Se a inspiração venceu o ócio
Novamente começo a escrever. 


06 junho 2011

.



Rosas de fetiche estavam por sobre os corpos mudos,
Estendidos pelo hall do prédio decadente,
Estavam distantes perdidos e sujos,
Ratos e lesmas passeavam pelo jardim,
Amar por amar,
Perder por dor...
Ainda segredavam alguns olhares,
Nada diziam, tudo diziam para eles,
Por vezes eram sublimes e despertavam
Um vôo pelos cantos recantos mais bonitos...
De violetas e cristais de lábios sutis,
Por outras eram meros anseios,
Desejos implícitos, medos reclusos...
Dias nublados de pessoas cinzas... sem cor...
Amar por amar,
Achar a cor...


Metalinguagem Poética



E minha mente diz,

Vida:
Como uma contradição absoluta,
A vida é tão curta e larga.
Está acima de nossas cabeças,
e não podemos toca-la.
Busca constante e infinita do saber,
Inefável sensações,
Corrida contra o tempo em busca de ilusões.
Rio sem foz,
Céu sem limite,
Inferno e caos
Oasis e plenitude
Fome, desgraça e dor
Amor, paz e sorte.
Raridade.
Sabedoria ignorante.
Exdrúxulo comum.

E o meu coração diz,

Vida: Não tente encontra-la em palavras. Viva para saber o que é vida.


.



Ainda...
Não tardarás teus enigmas,
Pois eles retardarão tuas vitórias...
Era somente um início já iniciado,
Sem portas nem fronteiras,
Apenas uma rosa vermelha num vaso seco,
Por fim ela murchará...
Ainda...
Talvez obstante os sonhos amanheçam,
E o quadro que esboço me lembra seu rosto nu,
Olhares em cena se acariciam,
O musgo derrete e enfim vê-se a pele dela desnuda,
Suspirando rimas em acordes de arrepios...
Ainda...
Vagávamos pelas paredes,
Entre fotos e relógios,
Os ponteiros em descompasso,
Nossos dogmas perdidos,
A solidão somente a nos olhar...
Ainda...


OLHOS



Eu não quero beijar a tua boca
E nem quero sentir o teu cabelo
Selvagem esvoaçando por sobre
O meu rosto.
.
Eu não quero sentir a tua respiração
Quente, molhada e gostosa
Invadir-me as entranhas do desejo
Tornando minh'alma plena em pecado!
.
Não, eu não quero
Render-me à tua beleza,
Ao teu toque e ao teu chamado
E nem quero beber teu suor novamente!
.
Eu me curvo ante teus olhos
Por medo e desejo,
E por desejo e medo.
Teus olhos me fazem voar!
.
És linda, Ligia, tão linda que
Teus olhos me fazem temer
Um dia jamais voltar a vê-los
E a eles me subjugar!
.
Sim, é claro que quero teus olhos
Tua boca, teus cabelos, teu calor e teu suor!
Mas que seja apenas enquanto o tempo for tempo,
Para que as tuas noites terminem nos meus dias!

.

Escolha?


Dizem que tudo na vida tem sua escolha, e agora chegou a hora de eu fazer a minha. Sei que será difícil não sei que decisão tomar, escolher o que é melhor para mim e magoar os que me amam ou deixá-los felizes e magoar a mim?

Sinto-me uma decepção para todos.
Como posso ser assim?
Tenho sonhos,
mas como concretizá-los agindo desta forma?
É muita coisa para eu agüentar
Muitas dificuldades sei que vou enfrentar.
Quantas vezes mais terei de errar
Será tão sofrido assim fazer o melhor para si?
Não sei que decisão tomar
Sofrer ou criar o sofrimento?
O melhor para mim ou o melhor para outro?
Tenho tentado há tempos descobrir o que é certo
Tenho lutado por esse dia,
sem ter necessidade de preocupar-me com outros.
Porém agora que esse dia chegou
sinto dores absurdas,
Confusões sem fim.
A tristeza piorou.
Não sei quem sou!
Sei que decepcionei muitos,
Pedi liberdade
E agora o que fazer?
Essa que dizem ser liberdade,
sabe aquela que você acredita se livre
Mas sabe que machucara a quem ama se a usar
"Vem falar de liberdade para depois me prender"
Sempre fiz o que agradava a todos
Pensei ao menos dessa vez devo fazer-me feliz
Mas como ser feliz
se para alcançar a felicidade precisa se deixar quem se ama triste
Dizem que temos possibilidade de escolha,
mas se essas são as opções prefiro não ter escolha.
Escolha?
Mesmo?
Será?



FELICIDADE



A vida é sonho
e sombra e sal
que incansavelmente 
perseguimos.

Pelo sonho choramos
e por ele sorrimos
quebrando a rotina dos dias
nesse rio interior de cristal
a que chamamos felicidade
ou
momentos de jasmim

Só a memória mais tarde
se esgota num tempo sem fim


.



Dize-me, porém...
Contornando por outro lado,
É o mesmo lado de antes apenas?
Ou tudo é convergente divergente,
Mas, mas, mas,
Muito mais que um cubo ao apocalipse sideral,
Algo novo bem podia surgir ali no ápice matinal,
Logicamente estaria do outro lado,
Opostamente aos meus rabiscos olhares,
O que não significava absolutamente nada,
Mundo off...
Não tem ninguém,
Onde eu entro nesta história?
Você não entra,
Você é a história,
Naquele momento teve vontade de gritar,
E TU DIZ-ME SÓ AGORA...
(pausa para fumar, tomar uma dose de qualquer coisa)
Momentos despedaçados pelo chão,
Fotografias rasgadas, cartas em cinzas carregadas pelo vento,
Nem rima, nem fome, só um nada profundo,
Algo que não conseguia explicar,
Estava triste em seus pensamentos,
O mundo lá fora não lhe dizia nada,
A resposta talvez estivesse bem ali,
Lado a lado,
Porém, tudo era um lado da história,
Apenas meros retrospectos da outrora alegria,
Utopia dos mortais: viver e ser feliz conscientemente...
Talvez eu chegue lá daquele lado,
Muitos tal vezes jazem pelo assoalho de madeira puída...



05 junho 2011

Consumo



Quero você todo pra mim em partes.
Pequenas partes pela manhã...
Pequenas partes pela tarde...
Pequenas partes pela noite...

Porque eu tenho fome e sede de você
em todos esses horários.

Acordo louca de saudades,
mesmo tendo dormido nos seus braços...
Estou sempre louca de vontades,
mesmo reconhecendo nos seus suspiros o cansaço.

Mas me perdoa meu amor.
Eu tenho fome e sede de você em todos horários.

Porque você me faz mais mulher em todos os traços.
Pequenos traços dos meus seios nos seus lábios...
Pequenos traços dos meus quadris na sua mão...
Pequenos espasmos dos seu gozo na minha boca...

E você nunca me faz menos, só mais aflita de vontades.

Sei que por hora já lhe perdura as dores do cansaço:
Mas me perdoa meu amor.
Eu tenho fome e sede de você em todos horários.


Alien



Estou procurando um mundo
Um mundo diferente de todos os mundos que já sei,
Um mundo totalmente diferente do meu,
Um mundo em que eu possa penetrar,
Um mundo que possa penetrar no meu.
Um mundo que complete o meu mundo,
Um mundo que me faça sair do meu mundo.
Um mundo, em que tudo que eu veja, é tudo que eu nunca teria imaginado ver.
Um mundo, em que tudo que eu toque, é nada que eu nunca tivesse imaginado tocar.
Um mundo, em que tudo que eu sinta, seja sempre tudo que se sinta e nada que não se sente.
Um mundo que transforme o meu mundo em mundos.
Um mundo que me faça crer que cada mundo pode ser mundos,
mundos recíprocos, mundos ligantes, mundos giratórios, mundos movimentos, mundos dissipativos, mundos que se respeitam, mundos que se entendem, mundos que se amam.
Qual é o seu mundo?


Criticas?



Criticam-me por escrever coisas tristes,
É bom escrever o que se vê
Eu vejo tristeza, e coisas inúteis
Que só nos faz ser piores.
A questão é que eu vejo beleza na tristeza
Nos momentos de tormento,
tento sempre ver o aprendizado
Pois com os erros é que aprendemos a mudar
Minhas dores não importam
a verdadeira dor está naquele que sempre pensa
Eu Não! Eu desabafo entre minhas frágeis estrofes
Assim posso corrigir meus erros
Distraio minha dor,
livro-me dela em instantes.
Quer ver felicidade?
Viva-a!
Não a procure em nobres poemas.



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Uma leve angústia se forma no peito vagamente,
Assola meus cordéis de sentimentos ao alvorecer,
Bastaria uma derradeira lágrima a escorrer pelo sulco das rusgas,
Mas não agi desta maneira, não desta vez...
Tomei-a em profundo sabor,
Saboreei-a em seus íntimos temperos...
Dias após dias...dezenas de dias,
Percebi nela a nudez de meus desejos esquecidos,
E talvez ainda alguma rima para sorrir,
Ao tardar do tempo fui me aconchegando aos seus recantos,
Até conseguir enfim descobri-la numa aurora de êxtase remanescente,
Como a voltar aos tempos dos primeiros beijos,
O doce sentir pelo desconhecido amor,
Daquele dia em diante nunca mais a deixei ao esquecimento,
Sempre retornava com um buque de saudades,
E um breve riso de complacência...



04 junho 2011

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Quando cheguei você já estava lá,
Sempre esteve eu sabia,
Não sei como sabia, apenas sabia...
Quando quebraste o silêncio das vontades,
Tua voz já me era bem conhecida,
Como numa melodia que a muito não escutava...
Não sei onde, nem quando,
O tempo sucumbe o vagar dos passos,
Não vejo portas nem janelas,
A metamorfose do absurdo me toma,
Imagino tudo, cachorros a ladrar...
Viúvas descabeladas, operários sujos,
Bêbados rindo, meninos jogando bola...
Mesmo distante, talvez uma vertigem,
Quem sabe uma visão,
Estarei eu imaginando você?
Tudo fruto do desfrute ocasional das saladas de frutas,
Bem que me falavam,
(Estou fugindo do assunto propositalmente),
Perdi completamente o fio da meada,
Onde está você?
Sim eu sei...
Onde sempre esteve...




observando o mundo,
vá,
volte os olhos
para tudo,
vá.
E num abraço deixe
todo o confuso,
deixe e vá.
E vá
em silêncio
para não despertar
o sono
brando
dos pássaros tantos.
Vá e deixe
teu cheiro
no ar.
Vá,para que 
os que vivem
respirem
odores encantos
e poucos
lamentos.