16 outubro 2011

Meu Inferno


Meu inferno surge como presas cravadas na carne do predador
Escuridão repentina que me prende em mãos trêmulas
Vontades insaciáveis e pele ávida
Meu inferno me leva ao eterno
Decomposição viceral , éden de vermes dentro de mim.
Salvação.
Meu inferno bebe sangue contaminado da existência
Coagulado de essência
Meu inferno vira tempestade.
Me pega, me leva, me muda.
Eterniza.

Todos caminhos que percorri
Caberiam numa folha
de papel
Todas os passos que dei
Caberiam nas bolhas
dos meus pés
Mas todos desejos que tenho
Não caberiam
nesse mundo



Eu não sou ela,
Ela não é minha,
Talvez seja,
Mera coincidência,
Minha sombra perdida,
Minha pedra ferida,
Minha amante casual...
Um dia fui eu,
Simplesmente...
Porém chovia,
E lagrimamente
Vi-me nu,
Aos olhos dela,
Neste dia a percebi,
De relance,
De canto de olho,
De corpo distante,
Rimos nós,
Aos compassos do tempo,
Aos prantos dos passos,
Aos silêncios das caricias...
Quem seja?
Não sei,
Um anjo dos dias sem ninguém,
Um riso das manhãs tristes...
Uma poesia desgarrada ao vento...
Que importa senão vive-la,
Enfim...


Fome de Vida


tenho fome de vida
vida que me tange
vida que se mostra
vida que quero seguir.
Caminho aparente ao olhar
vontade permanente em mim
assim como o tempo
saudades de futuros gostar.
Eu tenho em mim fome de vida
tenho fome de vida
vida que me tange
vida que se mostra
vida que quero seguir.
Caminho aparente ao olhar
vontade permanente em mim
assim como o tempo
saudades de futuros gostar.
Eu tenho em mim fome de vida


15 outubro 2011

Açoite toda a Sorte


Agora eu escolho os mundos
Como antes escolhia minha sorte
Antes deu um azar de morte
Será que por ter sido tão fundo
Não vou mais correr atrás?

Hoje piso em estrelas
Como antes sorria na natureza
Depois de ser maldito por elas
Como saberia de dizer: de toda a beleza?

Que há neste planeta
Viva, a quem doer,
Pau no cú dos pernetas!

Os que pisam de uma perna só
Quando o corpo pede, e pintam de um tom só, quando a cor não mede

Viver é ser diferente
É pisar na lama
Com os dois pés

Pois da lama
Que existe do mundo
Uma flor do lótus, e bem fundo
Vai vibrar sua alma: que tem mais
Do que três pontas.


09 outubro 2011

sem título


Hei de partir, de fato
quando cansar de ser performático
No teatro da vida
Mas há quem duvida
Que sou casto
E que meu ser vasto
Não encontrará a saída
Mas me demito
Do meu corpo imaculado
Títere, mártir, mito?
Quero ser platéia
Quero ser palco armado
Expor a ferida
Ser a besta parida
Do ventre farto da miséria
Manchado de sangue cálido
Inválido, esquálido
ou apenas idéia
perdida...
Quero ser o choro verdadeiro
No momento derradeiro
Da peça em cartaz
Da vida que jaz
Pelas mãos do titereiro
No movimento certeiro
A mover para frente e para trás
Meu rosto moldado
E a boca calada
Num gesto calculado
Desfaço a corda atada
Bailo no ar
Brejeiro...
As mentes castradas
E os olhos vidrados
Não me dizem nada
Do último ao primeiro
Não me engano mais
São todos iguais
Quero agora o mundo inteiro


Volta


Foi no limite de uma terra cáustica,
Dentro da zona do silêncio,
Que o teu corpo se desprendeu do meu.

Fui consagrada à eternidade,
E a sua solidão.
A voz que continha as palavras
Sacramentaram o meu coração,
Rezando sacrifícios.

Vi a transparêcia da distância
Que nos habitava.
Aquela parte, que nos ligava como um,
Perdeu-se na ilusão dos dias,
E a tua alma levou a minha.

Fiquei vazia como uma casa abandonada,
Por isso te peço:
Volta antes que a colheita se perca,
E a terra se torne envelhecida.

Volta a regar meu campo com tua alegria.
Traga teu corpo de frutos enlouquecidos,
E preenchas os espaços onde escureço.
Sê água lírica em minha boca,
Antes que meu sangue comece
A escrever nossos nomes.



Acredito em um tipo de amor
Que raramente se sente
Linhas enormes e cortantes chamadas: paixão
Linhas minúsculas, fios de ouro: o amor

Que nossa poesia tivesse
O poder
De alcançar a sua cidade
E te dar um beijo...

Que nossa poesia pudesse
Sem ver
Tocar o seu rosto
Sua face
O teu prazer...

Que nossa poesia voasse
Esnobasse o ar
E a terra
E no meio de sacadas de prédios
Aonde terra e ar não existissem
Chegasse em forma de choro
De cristais...


Tempos idos!


Que absurdo me toca!?é aburso!
Já não sei de onde vim nem para onde vou
Estou pasmo , não
vejo mais cor!
O tempo passou!
Vejo tudo cinza!
Um dia o verde me convidou para uma festa
Recusei sem querer,
Recusei!
Ele era muito para mim.
Tive medo!

Hoje o vento sopra em silêncio.
Sem querer dedilho sensações somente!
É o que resta!
O tempo passou!


sem título


Como tudo que cabe na minha mão
posso tê-los...
Como tudo que cabe no coração
posso retê-los...
Como tudo que não havia então
Apenas o desejo se sê-lo...
Do que não foi em vão
resta apenas meu apelo..


08 outubro 2011

.

Cuidado...
Sou um absurdo,
Olha-me apenas de lado,
Sinta-me a léguas,
Abraça-me somente por descuido...
Acaso por um lapso esbarrares,
Em minha sombra e derivados,
Procure auxilio urgentemente,
É possível estar com palpitações,
(estranhas),
Ou com arrepios ascendentes,
(incontroláveis),
Até possa estar com risos variantes,
(fugazes),
Em meros instantes estarás latindo,
Enfim...

07 outubro 2011

.

Olhar de Miró

Um olho olha cá dentro,
Outro olha lá de fora,
Dois olhos iguais,
Duas visões diferentes,
O de dentro tem seus batuques,
Suas esquisitices, suas imagens,
Seus fotogramas, seus pedaços de amores,
Seu silêncio, sua imensidão, seu infinito labirinto...
O de fora observa, senti, leva bordoada, fala mal,
Buzina, acha graça, abana, lagrimeja, vê tudo,
O mundo e suas entranhas, seus esgotos,
Suas gentes,...
Um olho pisca,
Uma piscadela...
O outro se fecha,
Adormece...


05 outubro 2011

Para Leide

.


O telefone alardeia,
Atendo...
Nenhuma voz, somente um murmúrio distante,
Na TV preta e branca,
Dois negos se beijam em branco,
Mudo o canal, mudo eu,
Sou outro diante do espelho transparente,
Vejo outros horizontes,
Algumas nuvens pretas,
Alguns sonhos em dégradé,
Um velho com suas rugas sorridentes,
A noite é lenta e meus pensamentos não valem nada,
Pigarreio alguns pensamentos,
Dedilho uma antiga melodia,
E chego a dançar numa miragem de cristal,
Sentia-me bem,
Que importa os passos tortos?
Os breves tropeços do acaso?...
O passado desbota no varal,
As águas do tempo passam,
Passados tempos,
Viram passatempo,
Apenas...


Vida


Desvirginando a realidade, cavalgo
Em solos férteis, solos úmidos
Solos arados, solos trincados
Nem sempre receptivos
Mas sempre bem vindos

Quero-te e não deixo a incerteza levar-me
Te quero e o ar é mais desnecessário que esse amar
Brotos de feijão
Brotos de vidas
O sim e o não
Idas

No puro sumo do dizer
Sou só mais uma vida. 


29 setembro 2011

Sem título


As lágrimas no meu rosto
Vertem como a chuva
Inundando o corpo
E nos olhos a água turva
Escorre pela pele
Fria e insuportável
Dilacerando a mente
Mortificação inevitável
Que sente e sente
Serei um ser irretratável
A viver nesse dilema freqüente?
Maldita culpa que fere
Que arrasa o ser
E me engana sempre
Sofrer horrores inconcebíveis
E ainda seguir em frente


Cri Ação


Nós conhece
brinca
encontra
reencontra
apronta...
Nós beija
deita
rola
faz amor.

Nós realça
enfrutece
guarda
aguarda
amadurece.
Nós ansia
torce
contorce
sente dor.

Depois...
Nós somos pais
somos mosaicos
somos vitrais.
Cuidadores
criadores
somos vitais.
Mais tarde...
Espécies angelicais.

28 setembro 2011

Tuyo jardín


De poco en poco, la alma
descomponese en agua
Y vaya así fluyendo
Sin dirección ni sentido

Como una lágrima cuál surge
Sin pesar e comparte el camino
De fisuras que las decepciones
Hicieron en mi corazón

Y de pronto desaparece
Y cada flor que yo veo
Recuerdo de ti y creo
Que tu no harásme más

Ninguna raja, y aun sabrás
Cultivar flores en los caminos
Dónde florecerá tuyo hermoso jardín
Para que tuyo hogar quede contigo


Sonautico



                          Quem nasce no final 
Da história
É o que se perdeu do mal
A qual a felicidade percorra

Não alente este barco
Chegando a civilização
Se souberdes das glórias náuticas, um fardo fado
A quem eriçou esta guarnição

Não se perca agora 
Não finja a glória
Se Glória é a emoção

A qual a felicidade destoa
A quem eriçou esta proa
Se os males começarem no fim: sou começo. Ao contrário, sofri lento: naufrágio ..


27 setembro 2011

"POEMAS BREVES"


Gosto dos poemas breves
como se fossem instantes
bordados a emoção
...
Gosto das palavras
respiradas
mordidas grão a grão
Pólen! Semente ou Pão!

Gosto dos poemas breves
Prenhes de ansiedade
como um ato de amor
interrompido pelo sono

no útero da liberdade


24 setembro 2011

Só você (releitura)



Muito antes de nascer
Já pudera, estava escrito
Nas estrelas, no papiro
Que eu iria amar você

Mesmo que o mundo se acabe
Até que esvaindo-se a imaginação
Grito para os que nada sabem
Trago comigo amor puro e paixão

Explosão dentro de mim
Mais forte que o trovão
Tão belo quanto um Querubim
Sopro da mais forte emoção

Meu anseio da tua boca
Dos cabelos, teus desejos
Minha metade mais louca
Dominou meu corpo inteiro

Se não tenho eu me mato
Isso é fato, não me deixe
Seu desdenho é um fardo
Me afogo sendo um peixe.


Uma lua, o sol e você
Esse trio da minha vida
Inenarráveis emoções
Ecoam na minh'alma bendita
Sopro da alegria

Primazia, bem estar
Magia, cálidas rosas
Meu jardim mais bem cuidado
Palavras que nunca serão suficientes
Emoções que transbordam

Você, árvore que cresce diariamente na minha mente
Nada posso mais sem sua companhia
Motor propulsor da minha motivação

Sua pele meu melhor agasalho
Sua voz, música que não deixo parar de tocar
Fiquem sempre juntos nossos corações
Eu amo você


15 agosto 2011

Só mais uma coisa



Procuro um tempo mais belo
Sem desvios e maus pensamentos
Além de régua na felicidade

Escritos nos desenhos que formam as estrelas
Vi seus olhos belos, imponentes
Sorriso franco e puro.

Vi também a aflição, moribunda e vadia
Morrer sem velório ou enterro, sem desespero e futuro
Sem carpideira, sem fronteira ou muro.

Muito aquém ou além de qualquer coisa
Aliança no dedo e coração
Fez-me melhor, lhe fez consenso
Vi amor verdadeiro, respeito e viço
!


14 agosto 2011

Acesso da Fantasia



Milhões de vozes me chamam
Atrozes escritores que banham
Terror e beleza de sonhos! Mensageiro nas portas
Comporto a inspiração derradeira

Tu és a única, esperança do divino
Fazes soltar tintas em papéis
Mas me engano ao pensar que perecerás
Pois sempre precede o silêncio da balbúrdia dos sinos!

Portas que tu abres chaves que nunca perdes
No engodo do fracassado, tu renovas, acordas a cada letra
Fazendo valer o som das trombetas
Trazendo harmonia as flautas que ergues. 


"É preciso saber viver" Erasmo Carlos



Você foi embora
Não sei se para sempre
Ou só um tempo em Pasárgada
Deixou uma sacola de roupas sujas
Meias calças no varal
E minhas lágrimas, molhadas,
Suaram no meu corpo febril
Enquanto via na lua amargurada
O reflexo poético que mingua a minha vida em quartetos sem um único som
Que me fazia esquecer: os seus braços, a sua pele, o seu licor

O coração para:
De repente tudo aquilo repentino
Fecho os olhos
E me imagino: Há tantas coisas a mais
A se imaginar!

Casar, projetos, sonhos
Todos em maderite
Todos precisando não de reboque
Não de tinta
Mas de alicerce
Argamassa, e pronto

Dane-se o acabamento
Gasta-se menos dor, e mais cimentos
Pois o dia é cinzento
E nossa arte
Brota de qualquer tipo de cor

O coração para:
Há um poema depois do outro poema
Que diz: "A luta contra os sonhos
Começa na lucidez
A luta contra o pesadelo
Acaba em luzífer
Sou uma mente que adormece
Outra que quer viver
Minha alma em letargia
E não há asia que faça
Esse calor, gelo
Ou plasma
Me queimar, derreter
Ou pairar sobre o etéreo"
Sou aéreo!
Luto contra minha sobrevivência
Sim, é o que você ouviu!
Até a quem no mundo eu boto
E é filho do meu mais íntimo
Eu digo: Me saboto! Me saboto!
Sou ínfimo...

Infinito, quarks, ânions
Laisers de Plutão
Na periferia do universo
Sinto nem frio, nem calor
Que dizem ser valioso, ou retrocesso

Sou idéias no ar
Sou rua depois da outra rua
Agora que elas viraram outro mundo
E talvez no futuro
Eu viva num graffite
Num quadro moderno
Os realistas comeram meu cérebro
Vomitarei São Paulo
Todas as suas vielas, becos, e ladeiras
Não, não...
Vou deixar São Paulo em paz
Pois não há maior tristeza para uma pólis
Do que se ver cosmo, mas não ser paulistana, politana, política!

Você foi embora assim de repente
Da minha vida
E eu já tava com tudo isso engasgado:
- Cadê você rua proibida, que os ricos também pixam
E os pobres dão risada não só deles
Como desse mundo engraçado
Que gira, feito bola.


13 agosto 2011

Meus punhos estão abertos. Minha cabeça fechada



Quero que você me conheça
Pelo menos uma frase de toda a minha poesia
Pois a minha prosa biotônico fontora
Não agrada a ninguém

Não quero também que se amacies
Com esses versinhos tristes
Que se parecem lhe dados
Como presentes por me aturares

Quero o contrário
Ser um empecilho traumático
Porém lírico, discreto
Muito menos burocrático

Fugir da dor
De ser um dois na vida
Fazer jogo com o número que me deram no RG
E ganhar uma fortuna na loteria da vida

Não sei ser O Cara
Mas eu conheço muito bem o que é ser
Cara Nenhum
Mas nem por isso jogo: cara ou coroa, cara ou coroa

Não escolhe meu futuro na sorte
Pois dou um azar de morte
Sou só
Isso até me conSola

No meio de tantas pessoas
No mais, tantas idéias
Sou eu mais amigo delas
Que me vem no fim da tarde, nunca me deixam sem um questionamento

Chego a sentir raiva
Dor
Muito carinho
Talvez não somente ao tédio

Não há remédio para mim
Os meios sociais já diziam
És um hipócrita
Patrocina empresas inexistentes!
Que tem déficit abaixo do decrescente!
Talvez tenham uma bunker
Um call center, no reino do nada!
E você vem de madrugada
Me dizer essas coisas...

- Sou anti populista
Não por querer ser sozinho
Mas por ser multidão
E a multidão ser toda uma só...

Não achei o pedestal que falaram que iam trazer
No dia em que os deuses
Ouviriam os nossos suplícios
Os nossos martírios

Fiquei de fora da corte da humanidade
O corte que me deram foi profundo
Prático
Sem vontade

Pedras me dizem que eu saia do meio do caminho
Mas enquanto os obstáculos
As pessoas
Tudo o mais

- Me provocar-

Vou ser sim uma vez
Mesmo que abobada
Feia,
E rouca

A falar

Mesmo que eu não acredite no que eu diga
Não importa
A verdade nunca esteve tão longe

E tão perto.


12 agosto 2011

Curriculum Poético

Começo pelo modo mais fácil
Entrego o meu ser por inteiro
Espero uma solução instável
Busco o dito amor verdadeiro.


Nunca fui exigente demais
Também não sou perfeccionista
Visto a camisa da paz
Não vivo a vida seguindo uma lista.


Não traio e não suporto traição
Atraio para mim uma forte energia
Dispenso qualquer tipo de apresentação
No sexo faço a dois a minha orgia.


Amo a natureza em geral
O mar, sol, lua o sul e o norte
Penso que recíproca é uma coisa normal
Não temo, nem subestimo a morte.


Dinheiro para mim não é tudo
Contudo, tê-lo não faz mal a ninguém
Grandeza muitas vezes é absurdo
Humildade sempre receberá nota cem.


Não sou nenhum vegetariano
Amo um bom filé mignon
Faço aniversário todo ano
Não minto minha idade em vão.


Não me importo com cor, religião ou time
Sou uma pessoa fácil de conviver
Não me chateio se falam que meus versos não rimam
Mas fico triste se a pessoa não ler.

25 julho 2011

Palavra Possuida



Numa noite de palavras marítimas
a pele da idade dos ventos,
me diz; que é na beleza das fábulas
bordadas de açucenas lilases
que o limite das mãos
tem cor e fantasia.
Que na paisagem vista do poente
a natureza viva,
tem mil razões
pra ouvir a canção...
Uma ópera azul!
Sendo assim
feito pássaro, nomeio chamas.
Faço de pérolas, as faces do paraiso.

É um mundo em novelos!
Rústico ofício de poeta.



24 julho 2011

Apelo


Pela fresta dos seus olhos
anestésica brandura me exorciza.
Me deixa vazia de coisas ruins.

Sinto-me pronta para receber-te.
Venha!...




.


Pulsa a palavra
Que urge no breu,
Asfixiada amordaçada,
Pela mente que navega,
Num mar de incógnitas...

Vez que outra,
Surge uma janela
No caos da normalidade,
E a palavra enfim respira:

"Amor contido.
De olhar sutil,
Na deriva teu corpo,
Meu raro riso de sentir..."

Logo a janela torna-se a fechar,
Nada percebe em seu entorno,
A paisagem torna-se opaca,
Sem cor, sem vida, sem emoção,
Vesti-se apenas de solidão...


Noturnal

.
Quando ave
deixa-me noturna.
Melodia, ouça-me serenata.
Quando luz clarão de lua
beije o céu...
O céu da minha boca.

Quando vento
sinta leve açoite.
Quanto à flor
sou dama da noite.
Se farol
acenda o mar e a estrada.
Para seres meu sereno
meu moreno...
Quando madrugada. 


.



Lapsos frágeis
Contornam os avessos,
Da fuga póstuma...
Já não entendo mais
Os enredos que o destino,
Por ora proclama...
Tantos erros se passaram,
Espinhos que deixaram marcas,
Lágrimas que retornam feito bumerangue...
Logo o entardecer chegará,
A me conceder afagos...
Com suas paisagens anoitecidas,
Onde irei sonhar pequenos sonhos,
Talvez sorria com eles,
Sonhos antigos da infância,
Tardiamente...


.


Ah o mundo sem você
Não teria a mínima graça...
Meu caminhar seria torto,
Por ruas tortas sem esquinas...
Nossa melodia perderia o tom,
E o meu cantarolar desafinaria...
Que falar das lembranças que
Sem você não seriam mais lembranças,
Seriam meros passados mofados,
Um álbum esquecido de fotografias amareladas...
Sem você meus dias seriam longos e tediosos,
Não teria amanhecer e o crepúsculo seria
Apenas sempre igual frio e acinzentado..
Sem você meus sonhos se perderiam na rotina,
E já não iria mais sorrir pela manhã,
E o resto do dia ficaria a deriva pelo cotidiano,
Num passatempo sem emoção...
Sem você ficaria por ai sozinho,
Cabisbaixo arrastando os pés descalços,
Como a querer que o tempo se abrevie,
Só para não sentir sua ausência...
Sem você meu escrever não teria sentido,
Seria um amontoado de palavras sem sabor,
E a poesia da vida deixaria de existir...


Corazón



Débil,
Sensibles.
Lo siento por ti,
Muchas veces he tratado de olvidar
Me pareció imposible
No podemos olvidar el amor.
El amor es parte de la vida,
Así como el dolor.
Dar amor renunciar
Con el dolor que yo sé que aprender una nueva lección.


.



Num esbarrão trivial de esquina,
Despedi-me da solidão dos anos,
Pois havia encontrado minha cara metade,
Andando por ali perdida de seus passos,
Coisas do destino...
Ao entardecer quando percebi,
Ela já havia partido,
Na mesa deixara apenas a flor que lhe dera,
Um verso rabiscado no guardanapo,
E uma lágrima escorrida...
O verso dizia...
"Retorno quando da lágrima nascer,
Um riso primaveril,
A florescer em seu rosto,
A saudade de nosso infinito amor..."
Nunca mais a vi por ali,
Deixei na gaveta a flor esquecida,
Coloquei o guardanapo com seu verso no bolso...
E guardei no olhar a lágrima escorrida...
Vez por outra recordo daquele dia,
Olho a flor seca com as pétalas sem cor,
Releio o verso que escreveste,
Quando percebo estás ao meu lado,
Como se nunca tivesses partido,
Sorrio enfim...
A lágrima havia nascido...




Se ser é sentir
Sentir é estar
Viver é ir
Sofrer é ficar

Se há vontade algures
Meu ser há de pensar
Se vou a sorrir
Chorarei ao voltar


.



Trinta e poucos dentes
Despertando num riso
Esperado a distância...
Assim foi naquela manhã,
Em que tudo parecia uma manhã qualquer...
Mas não era...
Quando a carta chegou meus olhos
Ainda permaneciam acariciados pelos sonhos...
Meio com a mente cambaleante,
Fui abrindo aquele envelope pardo,,,.
Dentro apenas uma folha com a marca de lábios
Em batom rubi...
Lábios que saltaram da página branca,
E planaram a face percorrendo cada canto, cada segredo...
Peço-lhe...apenas sorria
Como o riso de uma flor rara,
Com suas pétalas de sonho,
Seu perfume de nascente,
Só sentida em meus devaneios,
Quando sozinho esperava você chegar,
Para florescer nossos silêncios,
De olhares de púrpura,
Repletos de sabores e gostos...
Um dia numa manhã qualquer,


tomara...



Tomara Hyanara, tomara...
Que tudo quanto doença sara,
Que tudo quanto lamuria cala,
Que tudo quanto angustia para
porque até a lua ria quando eu te escrevia, tomara...
que a musica flua e que o bom som se saia de tudo quanto for prisão,
que caia tudo quanto grade e liberte todo e qualquer coração...
Tomara Hyanara, tomara...
que se siga o rumo certo,
se siga de peito aberto,
firme, forte, ereto;
por mar aberto ou portas fechadas,
Por um coração ou certeiras flechadas, ao vão!
Sigamos pela escuridão da "luz da vida", é a vida!
e por onde ando a necessidade de saber onde piso,
navegar não é preciso, viver é preciso!
Tomara Hyanara, tomara...
que essa noite clara nos esclareça
que a lua é de uma rara beleza
e que beleza não deve ser desperdiçada
ou despedaçadas estarão as almas dos que tem o dom de sentir!
Sinto muito pela vida, pois ela merece ser sentida!


23 julho 2011

Amy Winehouse - You Know I'm No Good





A cantora inglesa Amy Winehouse foi encontrada morta em sua casa às 16h (horário de Londres) deste sábado, 23 de julho de 2011, em sua casa em Londres.
A informação, divulgada por um jornalista do "Daily Mirror" no Twitter e confirmada logo depois pela polícia inglesa. Suspeita-se que a artista tenha sofrido overdose de drogas.

Aqui tá assim todos os dias...

13 julho 2011

.


Nós a sós,
Somos sóis,
Somente comumente
Repentinamente nós,
Como noz,
Com casca,
Descascamo-nos,
Lambuzamo-nos,
De sol,
De lua,
Crua dialética,
Amor de língua,
Feliz réplica,
Somos nós,
Assim a sós...


12 julho 2011

.


Numa manhã de pouco sol,
E nuvens preguiçosas,
O meu Eu foi à esquina
Comprar cigarros, e não mais voltou,
Depois percebi...
O meu Eu nem fumava,
Comecei a fumar quando tinha uns 18 anos,
Mas isso não tem nada a ver com o caso...
O fato é: o meu Eu fugiu de mim,
Procurei por todos os cantos,
Fui na esquina, na delegacia e até no necrotério...
Nada.... ninguém viu, ninguém sabe de nada,
Escafedeu-se...
Nem uma cartinha mandou,
Uma vez eu tinha uns 22 anos também dei
Uma sumida... foram três dias somente...
Mais isso é outra coisa...
(a palavra coisa é muito boa,
Serve pra qualquer coisa...)
Continuando...
FIM!
Com ponto de exclamação para não restar dúvidas,
Não ficarei mais na varanda, balançando na rede,
Esperando meu Eu chegar...
Tenho outras coisas por fazer...
Porém a multidão clamou:
E O SEU EU?????
Ah o meu foi na padaria,
Foi comprar cigarros e já volta...
E a vida continua...a cantarolar...


.


A palavra livre
Liberta o ser do vácuo
Da cela mente
Dita demente,
...
A loucura é a cura
Do pensar
Todo igual...
...
Para os loucos
Toda conversa
É uma nova saída,
De seu pensar
Aleatório...
...
Estou achando
Que estou louco,
Ou ficando,
Ou estando,
Mas tudo são meros
Boatos,
Eu não sou louco,
Pago meus carnês em dia,
Trabalho todos os dias,
Tudo bem...
Cometo algumas loucuras,
Tipo conversar sozinho,
Cantarolar uma melodia por ai,
Fazer careta em frente ao espelho,
Ou ficar dançando no meio da rua,
Coisas normais...
...
Todo louco tem plena
Certeza que é normal....
...
Lá, lá,lá...
O que você acha?
Quem?está falando comigo?
Sim...estamos só nos dois aqui,
Acho que você está louco
Não há ninguém por aqui...


~



Me descobriram
( Em segredo)
=a mim não tinha como
@mbando os vidros, portas, paredes
Tudo, tudo

$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
=================
Felicidade
Não é?

< Nulo>
< Sem mais>Nem menos<
Assina o nome, por favor:
_________________________

: Em ; pe : que : nos : pe : da : ços :
¨#############Me Dissipei####################

Deram por mim (((((((((((((((((((((((MORTO!!))))))))))))))))))))))))))))))))))
Sai pelo metro _________________________________________________
até a estação central %%%

O esquema é esse mesmo, não é?
Correria, nervosismo, $$, mulher!

Eis que me invadem
No meio da madrugada

??????????????????????????????????????????????????????
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
...............................................................................................
.. .. .. .. . . . . . . . . . . . . . . !

Mais um cadáver a entra
Nas %%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%
Dessa reticente vida

11 julho 2011

.


a sola
gasta
pé de fora
poeira
encarde...
terra
preta
suja
a sola
descalça...
passos
percalços
retornam
à terra
moça...
saudade
da sola
outrora
nascida...

.


Num tímido amar,
De pétalas de sombra,
Uma flor se esvai,
Ao perfume das letras,
No encontro do olhar,
Que em forma de lábios,
Acaricia cada palavra,
Como a beber em silêncio,
O sabor dos segredos,
Acalento de nossos sonhos...


A Minha Voz


Ouça a minha voz
Que te fala com brandura.
Leva-a contigo,
No coração e na boca.

Fala por mim quando
Estiveres com os teus.
Dize com a minha voz,
Sobre a distância dos caminhos,
E sobre o silêncio que mora
Na alma das coisas.

Fala sobre os minutos
E o indecifrável tempo.
Dize que a solidão é líquida
E preenche um oceano.

Fala dos raios e dos trovões
Que açoitam como um chicote
O céu tenebroso e sombrio.

Sobre os negros insetos
Que adivinham o sangue
Nos corpos distraídos.

Que não resta mais nada
Sobre o céu.
Que só ficou um pó agonizante
Espalhado pelo vento.

Que o sabor amargo da vida
Deslizou para o centro de um corpo,
E que olhos viram
Dois seres perdidos, sem direção.


10 julho 2011

.


Não direi nada,
Não há nada pra se dizer,
Portanto calo-me,
Por míseros segundos,
Enquanto isso vou pensar,
Pensar em silêncio,
Nem murmúrios escutarás,
Nem uma vírgula de meu pensar,
Não farei gestos obscenos,
Não gritarei teu nome por ai,
Eu sei que sentirás falta,
Chorarás algumas lágrimas,
Mas logo depois esquecerás,
Guardarás a velha fotografia,
Bem no fundo da gaveta,
Onde seu coração não veja,
Jogará nossas juras pela janela,
Dará minhas coisas pro mendigo usar,
Terá somente meu nome bordado na pele,
Que mesmo as rugas do tempo não irão apagar,
Por vezes irá acariciá-las...
Nestas horas estarei escrevendo por ai,
Teu nome em rosas vermelhas,
Alegrando meus jardins de solidões...


Utópico tempo


Disseram-me para dar tempo ao tempo
O mesmo passou...

Sóis e luas, estações, os anos
Rugas, cabelos brancos.

Perdi alguns amigos
Ganhei alguns zunidos.

Não soltei pião
Nunca aprendi violão
Jamais namorei de mãos dadas
Tampouco chutei latas.

Perdi praias e cachoeiras
Ganhei cataratas.

Dar tempo ao tempo?
Eu o fiz...

E ainda não fui feliz! 

O espelho



Ela desabou!
Sua vida tomou o rumo contrário
Tudo foi confusão
Passou a não sentir
Seus medos a machucaram
Sua mente fez planos.
Refletindo seus erros e medos
Fazendo-a refletir seus atos
Distorcendo a verdade
Via tudo ao inverso
Sua vida não se passou de um espelho
Ela enxergava o contrário.
Sua vida não se passou de um espelho
Via tudo ao inverso
Distorcendo a verdade
Fazendo-a refletir seus atos
Refletindo seus erros e medos
Sua mente fez planos.
Seus medos a machucaram
Passou a não sentir
Tudo foi confusão
Sua vida tomou o rumo contrário
Ela desabou!

~



Na verdade eu não pesava
Esse tipo de maldade
Que as pessoas
Iam fazendo
Sem ao menos se tocar

Tudo era engolido
Porque era pra ser...

Dava uma dor de barriga desgranhenta
Permanecia calado
Queito
Cálido, feio taça

Porém pelos vidros
Das vidraças
Tu dizias: As coisas foram assim para nós, porque eram para ser!

E não tinha haver o fato
De ter abandonado
Faz tempo
Este oceano

Não tinha haver o fato
De tu ser uma aresta
De ser incapaz de seguir noventa por cento
Um mesmo plano!

E também não tinha haver a simples questão
De quando a amizade e o amor
Eram as questões mais dificeis e relativas
Fugiste na confusão dos números
eu, na confusão dos nadas

. Tudo era você
Ou um ser maior. ( que justificava-te)

. Tudo era gota
Enquanto eu mar ( perseguia um oceano)

. tu não me julgavas
mas cá eu te julgo, pior! ( dois seres, profanos)


.



Quando estou assim em branco
Feito a página do livro que alguém
Esqueceu de escrever,
Um longo deserto se forma,
E o lago e seus peixes somem da paisagem,
O poeta então fica por ali,
Na esperança do amanhecer de qualquer palavra,
A preencher o vazio do horizonte,
Talvez surja algo no percorrer das lembranças,
Algum momento ou esboço que lhe faça sorrir,
Mas os caminhos perdem-se por ruas desconhecidas,
Lugares bêbados, pessoas esquisitas,
E a página permanece nua, sem rabiscos, sem cor...
Uma imensa e infinita parede sem tijolos...
Talvez escrevesse sobre seus amores,
Não lembrava mais de nenhum,
Vez por outra derramava uma lágrima,
Era uma despedida, a tarde caia e o trem partia,
Ficava até ver o trem sumindo no horizonte...
Não chorou naquela vez,
Guardou a lágrima para um retorno talvez,
Ou para preencher a página vazia...


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Homenagem a Leide Daiana

27 junho 2011

Caminho de Volta



Pressentia a chuva que vinha
Tombando árvores, roubando telhados
Visíveis e invisíveis.

Os pés encharcados de água
E peixes miúdos avançavam
Manchando o chão de luzes
E respingos prateados.

Dentro do coração, os poemas
Nasciam com ecos,
Confessando um novo amor.
Um que já existia escondido
Na substância da chuva e
No hálito dos pássaros.

Vivia dentro das constelações,
Alucinado para voltar ao que era seu.
O futuro era um corpo celestial
Feito de pequenas luzes
Que marcavam o caminho da volta.

O ritual transpassava a tempestade,
Deixando o eco de sua voz arredondado
Como trombetas que chegam com
O som dos relâmpagos.

Ajoelhei-me pedindo perdão
Pelas luas infinitas de separação,
Pelas ilusões perdidas no mundo
Imaginário que escolhi viver.

Quando você entrou em meu corpo,
Invadindo-me por todos os lados,
Derrubando tudo que falsamente resplandecia,
Eu estava de braços abertos e nua.

Você conheceu os meus aposentos mais secretos.
Toda a minha espera foi banhada de liquens e musgos.
Fui adornada de folhas de crisântemos,
Enquanto bebia de sua transparência e
De seu cálice de néctar por todas as noites.
E foi assim até o fim dos nossos dias.


.



Amo um amor desconhecido,
Amo um amor qualquer perdido,
Amo por amar,
Amo por viver,
Amor de quatro letras,
Amor de tantas estações,
Faça chuva ou faça sol,
Lá está você livremente na brisa,
Acenando alguns beijos e
Dizendo-me com os olhos,
Já volto...
Todos os dias, todas noites,
Num pensar transeunte casual,
Ou num vagar aleatório apressado,
Ou até num paradoxal nada profundo,
Onde nada encontro senão restos passados,
E lá estará você me estendendo suas mãos,
Acariciando meus olhos cansados,
Diria-me mil coisas em pleno silêncio,
Por que corres?qual sua pressa?Para onde irás?
No amor não existe tempo nem distância,
O amor é um grande segredo que todos sabem que existe,
Mas são poucos os que conseguem compreende-lo,
Vive-lo, sentí-lo, percebe-lo…
Amo assim simplesmente,
Ouvi falar que outros não amam,
Vivem por assistir suas hipocrisias pela TV,
Mas a realidade é sempre absurda...
QUE????SURDA???
ABSURDA!!!!
SURDA É TUA MÃE....
Amo distraidamente,
Amo um amor qualquer que desconheço,
Sem pressa, sem medo, sem distância,
Apenas amores, peles e arrepios...