29 setembro 2011

Sem título


As lágrimas no meu rosto
Vertem como a chuva
Inundando o corpo
E nos olhos a água turva
Escorre pela pele
Fria e insuportável
Dilacerando a mente
Mortificação inevitável
Que sente e sente
Serei um ser irretratável
A viver nesse dilema freqüente?
Maldita culpa que fere
Que arrasa o ser
E me engana sempre
Sofrer horrores inconcebíveis
E ainda seguir em frente


Cri Ação


Nós conhece
brinca
encontra
reencontra
apronta...
Nós beija
deita
rola
faz amor.

Nós realça
enfrutece
guarda
aguarda
amadurece.
Nós ansia
torce
contorce
sente dor.

Depois...
Nós somos pais
somos mosaicos
somos vitrais.
Cuidadores
criadores
somos vitais.
Mais tarde...
Espécies angelicais.

28 setembro 2011

Tuyo jardín


De poco en poco, la alma
descomponese en agua
Y vaya así fluyendo
Sin dirección ni sentido

Como una lágrima cuál surge
Sin pesar e comparte el camino
De fisuras que las decepciones
Hicieron en mi corazón

Y de pronto desaparece
Y cada flor que yo veo
Recuerdo de ti y creo
Que tu no harásme más

Ninguna raja, y aun sabrás
Cultivar flores en los caminos
Dónde florecerá tuyo hermoso jardín
Para que tuyo hogar quede contigo


Sonautico



                          Quem nasce no final 
Da história
É o que se perdeu do mal
A qual a felicidade percorra

Não alente este barco
Chegando a civilização
Se souberdes das glórias náuticas, um fardo fado
A quem eriçou esta guarnição

Não se perca agora 
Não finja a glória
Se Glória é a emoção

A qual a felicidade destoa
A quem eriçou esta proa
Se os males começarem no fim: sou começo. Ao contrário, sofri lento: naufrágio ..


27 setembro 2011

"POEMAS BREVES"


Gosto dos poemas breves
como se fossem instantes
bordados a emoção
...
Gosto das palavras
respiradas
mordidas grão a grão
Pólen! Semente ou Pão!

Gosto dos poemas breves
Prenhes de ansiedade
como um ato de amor
interrompido pelo sono

no útero da liberdade


24 setembro 2011

Só você (releitura)



Muito antes de nascer
Já pudera, estava escrito
Nas estrelas, no papiro
Que eu iria amar você

Mesmo que o mundo se acabe
Até que esvaindo-se a imaginação
Grito para os que nada sabem
Trago comigo amor puro e paixão

Explosão dentro de mim
Mais forte que o trovão
Tão belo quanto um Querubim
Sopro da mais forte emoção

Meu anseio da tua boca
Dos cabelos, teus desejos
Minha metade mais louca
Dominou meu corpo inteiro

Se não tenho eu me mato
Isso é fato, não me deixe
Seu desdenho é um fardo
Me afogo sendo um peixe.


Uma lua, o sol e você
Esse trio da minha vida
Inenarráveis emoções
Ecoam na minh'alma bendita
Sopro da alegria

Primazia, bem estar
Magia, cálidas rosas
Meu jardim mais bem cuidado
Palavras que nunca serão suficientes
Emoções que transbordam

Você, árvore que cresce diariamente na minha mente
Nada posso mais sem sua companhia
Motor propulsor da minha motivação

Sua pele meu melhor agasalho
Sua voz, música que não deixo parar de tocar
Fiquem sempre juntos nossos corações
Eu amo você


15 agosto 2011

Só mais uma coisa



Procuro um tempo mais belo
Sem desvios e maus pensamentos
Além de régua na felicidade

Escritos nos desenhos que formam as estrelas
Vi seus olhos belos, imponentes
Sorriso franco e puro.

Vi também a aflição, moribunda e vadia
Morrer sem velório ou enterro, sem desespero e futuro
Sem carpideira, sem fronteira ou muro.

Muito aquém ou além de qualquer coisa
Aliança no dedo e coração
Fez-me melhor, lhe fez consenso
Vi amor verdadeiro, respeito e viço
!


14 agosto 2011

Acesso da Fantasia



Milhões de vozes me chamam
Atrozes escritores que banham
Terror e beleza de sonhos! Mensageiro nas portas
Comporto a inspiração derradeira

Tu és a única, esperança do divino
Fazes soltar tintas em papéis
Mas me engano ao pensar que perecerás
Pois sempre precede o silêncio da balbúrdia dos sinos!

Portas que tu abres chaves que nunca perdes
No engodo do fracassado, tu renovas, acordas a cada letra
Fazendo valer o som das trombetas
Trazendo harmonia as flautas que ergues. 


"É preciso saber viver" Erasmo Carlos



Você foi embora
Não sei se para sempre
Ou só um tempo em Pasárgada
Deixou uma sacola de roupas sujas
Meias calças no varal
E minhas lágrimas, molhadas,
Suaram no meu corpo febril
Enquanto via na lua amargurada
O reflexo poético que mingua a minha vida em quartetos sem um único som
Que me fazia esquecer: os seus braços, a sua pele, o seu licor

O coração para:
De repente tudo aquilo repentino
Fecho os olhos
E me imagino: Há tantas coisas a mais
A se imaginar!

Casar, projetos, sonhos
Todos em maderite
Todos precisando não de reboque
Não de tinta
Mas de alicerce
Argamassa, e pronto

Dane-se o acabamento
Gasta-se menos dor, e mais cimentos
Pois o dia é cinzento
E nossa arte
Brota de qualquer tipo de cor

O coração para:
Há um poema depois do outro poema
Que diz: "A luta contra os sonhos
Começa na lucidez
A luta contra o pesadelo
Acaba em luzífer
Sou uma mente que adormece
Outra que quer viver
Minha alma em letargia
E não há asia que faça
Esse calor, gelo
Ou plasma
Me queimar, derreter
Ou pairar sobre o etéreo"
Sou aéreo!
Luto contra minha sobrevivência
Sim, é o que você ouviu!
Até a quem no mundo eu boto
E é filho do meu mais íntimo
Eu digo: Me saboto! Me saboto!
Sou ínfimo...

Infinito, quarks, ânions
Laisers de Plutão
Na periferia do universo
Sinto nem frio, nem calor
Que dizem ser valioso, ou retrocesso

Sou idéias no ar
Sou rua depois da outra rua
Agora que elas viraram outro mundo
E talvez no futuro
Eu viva num graffite
Num quadro moderno
Os realistas comeram meu cérebro
Vomitarei São Paulo
Todas as suas vielas, becos, e ladeiras
Não, não...
Vou deixar São Paulo em paz
Pois não há maior tristeza para uma pólis
Do que se ver cosmo, mas não ser paulistana, politana, política!

Você foi embora assim de repente
Da minha vida
E eu já tava com tudo isso engasgado:
- Cadê você rua proibida, que os ricos também pixam
E os pobres dão risada não só deles
Como desse mundo engraçado
Que gira, feito bola.


13 agosto 2011

Meus punhos estão abertos. Minha cabeça fechada



Quero que você me conheça
Pelo menos uma frase de toda a minha poesia
Pois a minha prosa biotônico fontora
Não agrada a ninguém

Não quero também que se amacies
Com esses versinhos tristes
Que se parecem lhe dados
Como presentes por me aturares

Quero o contrário
Ser um empecilho traumático
Porém lírico, discreto
Muito menos burocrático

Fugir da dor
De ser um dois na vida
Fazer jogo com o número que me deram no RG
E ganhar uma fortuna na loteria da vida

Não sei ser O Cara
Mas eu conheço muito bem o que é ser
Cara Nenhum
Mas nem por isso jogo: cara ou coroa, cara ou coroa

Não escolhe meu futuro na sorte
Pois dou um azar de morte
Sou só
Isso até me conSola

No meio de tantas pessoas
No mais, tantas idéias
Sou eu mais amigo delas
Que me vem no fim da tarde, nunca me deixam sem um questionamento

Chego a sentir raiva
Dor
Muito carinho
Talvez não somente ao tédio

Não há remédio para mim
Os meios sociais já diziam
És um hipócrita
Patrocina empresas inexistentes!
Que tem déficit abaixo do decrescente!
Talvez tenham uma bunker
Um call center, no reino do nada!
E você vem de madrugada
Me dizer essas coisas...

- Sou anti populista
Não por querer ser sozinho
Mas por ser multidão
E a multidão ser toda uma só...

Não achei o pedestal que falaram que iam trazer
No dia em que os deuses
Ouviriam os nossos suplícios
Os nossos martírios

Fiquei de fora da corte da humanidade
O corte que me deram foi profundo
Prático
Sem vontade

Pedras me dizem que eu saia do meio do caminho
Mas enquanto os obstáculos
As pessoas
Tudo o mais

- Me provocar-

Vou ser sim uma vez
Mesmo que abobada
Feia,
E rouca

A falar

Mesmo que eu não acredite no que eu diga
Não importa
A verdade nunca esteve tão longe

E tão perto.


12 agosto 2011

Curriculum Poético

Começo pelo modo mais fácil
Entrego o meu ser por inteiro
Espero uma solução instável
Busco o dito amor verdadeiro.


Nunca fui exigente demais
Também não sou perfeccionista
Visto a camisa da paz
Não vivo a vida seguindo uma lista.


Não traio e não suporto traição
Atraio para mim uma forte energia
Dispenso qualquer tipo de apresentação
No sexo faço a dois a minha orgia.


Amo a natureza em geral
O mar, sol, lua o sul e o norte
Penso que recíproca é uma coisa normal
Não temo, nem subestimo a morte.


Dinheiro para mim não é tudo
Contudo, tê-lo não faz mal a ninguém
Grandeza muitas vezes é absurdo
Humildade sempre receberá nota cem.


Não sou nenhum vegetariano
Amo um bom filé mignon
Faço aniversário todo ano
Não minto minha idade em vão.


Não me importo com cor, religião ou time
Sou uma pessoa fácil de conviver
Não me chateio se falam que meus versos não rimam
Mas fico triste se a pessoa não ler.

25 julho 2011

Palavra Possuida



Numa noite de palavras marítimas
a pele da idade dos ventos,
me diz; que é na beleza das fábulas
bordadas de açucenas lilases
que o limite das mãos
tem cor e fantasia.
Que na paisagem vista do poente
a natureza viva,
tem mil razões
pra ouvir a canção...
Uma ópera azul!
Sendo assim
feito pássaro, nomeio chamas.
Faço de pérolas, as faces do paraiso.

É um mundo em novelos!
Rústico ofício de poeta.



24 julho 2011

Apelo


Pela fresta dos seus olhos
anestésica brandura me exorciza.
Me deixa vazia de coisas ruins.

Sinto-me pronta para receber-te.
Venha!...




.


Pulsa a palavra
Que urge no breu,
Asfixiada amordaçada,
Pela mente que navega,
Num mar de incógnitas...

Vez que outra,
Surge uma janela
No caos da normalidade,
E a palavra enfim respira:

"Amor contido.
De olhar sutil,
Na deriva teu corpo,
Meu raro riso de sentir..."

Logo a janela torna-se a fechar,
Nada percebe em seu entorno,
A paisagem torna-se opaca,
Sem cor, sem vida, sem emoção,
Vesti-se apenas de solidão...


Noturnal

.
Quando ave
deixa-me noturna.
Melodia, ouça-me serenata.
Quando luz clarão de lua
beije o céu...
O céu da minha boca.

Quando vento
sinta leve açoite.
Quanto à flor
sou dama da noite.
Se farol
acenda o mar e a estrada.
Para seres meu sereno
meu moreno...
Quando madrugada. 


.



Lapsos frágeis
Contornam os avessos,
Da fuga póstuma...
Já não entendo mais
Os enredos que o destino,
Por ora proclama...
Tantos erros se passaram,
Espinhos que deixaram marcas,
Lágrimas que retornam feito bumerangue...
Logo o entardecer chegará,
A me conceder afagos...
Com suas paisagens anoitecidas,
Onde irei sonhar pequenos sonhos,
Talvez sorria com eles,
Sonhos antigos da infância,
Tardiamente...


.


Ah o mundo sem você
Não teria a mínima graça...
Meu caminhar seria torto,
Por ruas tortas sem esquinas...
Nossa melodia perderia o tom,
E o meu cantarolar desafinaria...
Que falar das lembranças que
Sem você não seriam mais lembranças,
Seriam meros passados mofados,
Um álbum esquecido de fotografias amareladas...
Sem você meus dias seriam longos e tediosos,
Não teria amanhecer e o crepúsculo seria
Apenas sempre igual frio e acinzentado..
Sem você meus sonhos se perderiam na rotina,
E já não iria mais sorrir pela manhã,
E o resto do dia ficaria a deriva pelo cotidiano,
Num passatempo sem emoção...
Sem você ficaria por ai sozinho,
Cabisbaixo arrastando os pés descalços,
Como a querer que o tempo se abrevie,
Só para não sentir sua ausência...
Sem você meu escrever não teria sentido,
Seria um amontoado de palavras sem sabor,
E a poesia da vida deixaria de existir...