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18 fevereiro 2014



Tudo sem nexo,
Sem sexo,
Sem lástimas,
Sem cor,
Sem dor...
Amanhã de manhã,
Comprarei dois pães,
Pegarei o jornal,
Darei comida aos gatos...
A rotina é uma cortina,
De meus lindos medos,
Ah esqueci a porta aberta,
Volto já...

16 outubro 2011


Eu não sou ela,
Ela não é minha,
Talvez seja,
Mera coincidência,
Minha sombra perdida,
Minha pedra ferida,
Minha amante casual...
Um dia fui eu,
Simplesmente...
Porém chovia,
E lagrimamente
Vi-me nu,
Aos olhos dela,
Neste dia a percebi,
De relance,
De canto de olho,
De corpo distante,
Rimos nós,
Aos compassos do tempo,
Aos prantos dos passos,
Aos silêncios das caricias...
Quem seja?
Não sei,
Um anjo dos dias sem ninguém,
Um riso das manhãs tristes...
Uma poesia desgarrada ao vento...
Que importa senão vive-la,
Enfim...


08 outubro 2011

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Cuidado...
Sou um absurdo,
Olha-me apenas de lado,
Sinta-me a léguas,
Abraça-me somente por descuido...
Acaso por um lapso esbarrares,
Em minha sombra e derivados,
Procure auxilio urgentemente,
É possível estar com palpitações,
(estranhas),
Ou com arrepios ascendentes,
(incontroláveis),
Até possa estar com risos variantes,
(fugazes),
Em meros instantes estarás latindo,
Enfim...

07 outubro 2011

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Olhar de Miró

Um olho olha cá dentro,
Outro olha lá de fora,
Dois olhos iguais,
Duas visões diferentes,
O de dentro tem seus batuques,
Suas esquisitices, suas imagens,
Seus fotogramas, seus pedaços de amores,
Seu silêncio, sua imensidão, seu infinito labirinto...
O de fora observa, senti, leva bordoada, fala mal,
Buzina, acha graça, abana, lagrimeja, vê tudo,
O mundo e suas entranhas, seus esgotos,
Suas gentes,...
Um olho pisca,
Uma piscadela...
O outro se fecha,
Adormece...


05 outubro 2011

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O telefone alardeia,
Atendo...
Nenhuma voz, somente um murmúrio distante,
Na TV preta e branca,
Dois negos se beijam em branco,
Mudo o canal, mudo eu,
Sou outro diante do espelho transparente,
Vejo outros horizontes,
Algumas nuvens pretas,
Alguns sonhos em dégradé,
Um velho com suas rugas sorridentes,
A noite é lenta e meus pensamentos não valem nada,
Pigarreio alguns pensamentos,
Dedilho uma antiga melodia,
E chego a dançar numa miragem de cristal,
Sentia-me bem,
Que importa os passos tortos?
Os breves tropeços do acaso?...
O passado desbota no varal,
As águas do tempo passam,
Passados tempos,
Viram passatempo,
Apenas...


24 julho 2011

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Pulsa a palavra
Que urge no breu,
Asfixiada amordaçada,
Pela mente que navega,
Num mar de incógnitas...

Vez que outra,
Surge uma janela
No caos da normalidade,
E a palavra enfim respira:

"Amor contido.
De olhar sutil,
Na deriva teu corpo,
Meu raro riso de sentir..."

Logo a janela torna-se a fechar,
Nada percebe em seu entorno,
A paisagem torna-se opaca,
Sem cor, sem vida, sem emoção,
Vesti-se apenas de solidão...


.



Lapsos frágeis
Contornam os avessos,
Da fuga póstuma...
Já não entendo mais
Os enredos que o destino,
Por ora proclama...
Tantos erros se passaram,
Espinhos que deixaram marcas,
Lágrimas que retornam feito bumerangue...
Logo o entardecer chegará,
A me conceder afagos...
Com suas paisagens anoitecidas,
Onde irei sonhar pequenos sonhos,
Talvez sorria com eles,
Sonhos antigos da infância,
Tardiamente...


.


Ah o mundo sem você
Não teria a mínima graça...
Meu caminhar seria torto,
Por ruas tortas sem esquinas...
Nossa melodia perderia o tom,
E o meu cantarolar desafinaria...
Que falar das lembranças que
Sem você não seriam mais lembranças,
Seriam meros passados mofados,
Um álbum esquecido de fotografias amareladas...
Sem você meus dias seriam longos e tediosos,
Não teria amanhecer e o crepúsculo seria
Apenas sempre igual frio e acinzentado..
Sem você meus sonhos se perderiam na rotina,
E já não iria mais sorrir pela manhã,
E o resto do dia ficaria a deriva pelo cotidiano,
Num passatempo sem emoção...
Sem você ficaria por ai sozinho,
Cabisbaixo arrastando os pés descalços,
Como a querer que o tempo se abrevie,
Só para não sentir sua ausência...
Sem você meu escrever não teria sentido,
Seria um amontoado de palavras sem sabor,
E a poesia da vida deixaria de existir...


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Num esbarrão trivial de esquina,
Despedi-me da solidão dos anos,
Pois havia encontrado minha cara metade,
Andando por ali perdida de seus passos,
Coisas do destino...
Ao entardecer quando percebi,
Ela já havia partido,
Na mesa deixara apenas a flor que lhe dera,
Um verso rabiscado no guardanapo,
E uma lágrima escorrida...
O verso dizia...
"Retorno quando da lágrima nascer,
Um riso primaveril,
A florescer em seu rosto,
A saudade de nosso infinito amor..."
Nunca mais a vi por ali,
Deixei na gaveta a flor esquecida,
Coloquei o guardanapo com seu verso no bolso...
E guardei no olhar a lágrima escorrida...
Vez por outra recordo daquele dia,
Olho a flor seca com as pétalas sem cor,
Releio o verso que escreveste,
Quando percebo estás ao meu lado,
Como se nunca tivesses partido,
Sorrio enfim...
A lágrima havia nascido...


.



Trinta e poucos dentes
Despertando num riso
Esperado a distância...
Assim foi naquela manhã,
Em que tudo parecia uma manhã qualquer...
Mas não era...
Quando a carta chegou meus olhos
Ainda permaneciam acariciados pelos sonhos...
Meio com a mente cambaleante,
Fui abrindo aquele envelope pardo,,,.
Dentro apenas uma folha com a marca de lábios
Em batom rubi...
Lábios que saltaram da página branca,
E planaram a face percorrendo cada canto, cada segredo...
Peço-lhe...apenas sorria
Como o riso de uma flor rara,
Com suas pétalas de sonho,
Seu perfume de nascente,
Só sentida em meus devaneios,
Quando sozinho esperava você chegar,
Para florescer nossos silêncios,
De olhares de púrpura,
Repletos de sabores e gostos...
Um dia numa manhã qualquer,


13 julho 2011

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Nós a sós,
Somos sóis,
Somente comumente
Repentinamente nós,
Como noz,
Com casca,
Descascamo-nos,
Lambuzamo-nos,
De sol,
De lua,
Crua dialética,
Amor de língua,
Feliz réplica,
Somos nós,
Assim a sós...


12 julho 2011

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Numa manhã de pouco sol,
E nuvens preguiçosas,
O meu Eu foi à esquina
Comprar cigarros, e não mais voltou,
Depois percebi...
O meu Eu nem fumava,
Comecei a fumar quando tinha uns 18 anos,
Mas isso não tem nada a ver com o caso...
O fato é: o meu Eu fugiu de mim,
Procurei por todos os cantos,
Fui na esquina, na delegacia e até no necrotério...
Nada.... ninguém viu, ninguém sabe de nada,
Escafedeu-se...
Nem uma cartinha mandou,
Uma vez eu tinha uns 22 anos também dei
Uma sumida... foram três dias somente...
Mais isso é outra coisa...
(a palavra coisa é muito boa,
Serve pra qualquer coisa...)
Continuando...
FIM!
Com ponto de exclamação para não restar dúvidas,
Não ficarei mais na varanda, balançando na rede,
Esperando meu Eu chegar...
Tenho outras coisas por fazer...
Porém a multidão clamou:
E O SEU EU?????
Ah o meu foi na padaria,
Foi comprar cigarros e já volta...
E a vida continua...a cantarolar...


.


A palavra livre
Liberta o ser do vácuo
Da cela mente
Dita demente,
...
A loucura é a cura
Do pensar
Todo igual...
...
Para os loucos
Toda conversa
É uma nova saída,
De seu pensar
Aleatório...
...
Estou achando
Que estou louco,
Ou ficando,
Ou estando,
Mas tudo são meros
Boatos,
Eu não sou louco,
Pago meus carnês em dia,
Trabalho todos os dias,
Tudo bem...
Cometo algumas loucuras,
Tipo conversar sozinho,
Cantarolar uma melodia por ai,
Fazer careta em frente ao espelho,
Ou ficar dançando no meio da rua,
Coisas normais...
...
Todo louco tem plena
Certeza que é normal....
...
Lá, lá,lá...
O que você acha?
Quem?está falando comigo?
Sim...estamos só nos dois aqui,
Acho que você está louco
Não há ninguém por aqui...


11 julho 2011

.


a sola
gasta
pé de fora
poeira
encarde...
terra
preta
suja
a sola
descalça...
passos
percalços
retornam
à terra
moça...
saudade
da sola
outrora
nascida...

.


Num tímido amar,
De pétalas de sombra,
Uma flor se esvai,
Ao perfume das letras,
No encontro do olhar,
Que em forma de lábios,
Acaricia cada palavra,
Como a beber em silêncio,
O sabor dos segredos,
Acalento de nossos sonhos...


10 julho 2011

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Não direi nada,
Não há nada pra se dizer,
Portanto calo-me,
Por míseros segundos,
Enquanto isso vou pensar,
Pensar em silêncio,
Nem murmúrios escutarás,
Nem uma vírgula de meu pensar,
Não farei gestos obscenos,
Não gritarei teu nome por ai,
Eu sei que sentirás falta,
Chorarás algumas lágrimas,
Mas logo depois esquecerás,
Guardarás a velha fotografia,
Bem no fundo da gaveta,
Onde seu coração não veja,
Jogará nossas juras pela janela,
Dará minhas coisas pro mendigo usar,
Terá somente meu nome bordado na pele,
Que mesmo as rugas do tempo não irão apagar,
Por vezes irá acariciá-las...
Nestas horas estarei escrevendo por ai,
Teu nome em rosas vermelhas,
Alegrando meus jardins de solidões...


.



Quando estou assim em branco
Feito a página do livro que alguém
Esqueceu de escrever,
Um longo deserto se forma,
E o lago e seus peixes somem da paisagem,
O poeta então fica por ali,
Na esperança do amanhecer de qualquer palavra,
A preencher o vazio do horizonte,
Talvez surja algo no percorrer das lembranças,
Algum momento ou esboço que lhe faça sorrir,
Mas os caminhos perdem-se por ruas desconhecidas,
Lugares bêbados, pessoas esquisitas,
E a página permanece nua, sem rabiscos, sem cor...
Uma imensa e infinita parede sem tijolos...
Talvez escrevesse sobre seus amores,
Não lembrava mais de nenhum,
Vez por outra derramava uma lágrima,
Era uma despedida, a tarde caia e o trem partia,
Ficava até ver o trem sumindo no horizonte...
Não chorou naquela vez,
Guardou a lágrima para um retorno talvez,
Ou para preencher a página vazia...


27 junho 2011

.



Amo um amor desconhecido,
Amo um amor qualquer perdido,
Amo por amar,
Amo por viver,
Amor de quatro letras,
Amor de tantas estações,
Faça chuva ou faça sol,
Lá está você livremente na brisa,
Acenando alguns beijos e
Dizendo-me com os olhos,
Já volto...
Todos os dias, todas noites,
Num pensar transeunte casual,
Ou num vagar aleatório apressado,
Ou até num paradoxal nada profundo,
Onde nada encontro senão restos passados,
E lá estará você me estendendo suas mãos,
Acariciando meus olhos cansados,
Diria-me mil coisas em pleno silêncio,
Por que corres?qual sua pressa?Para onde irás?
No amor não existe tempo nem distância,
O amor é um grande segredo que todos sabem que existe,
Mas são poucos os que conseguem compreende-lo,
Vive-lo, sentí-lo, percebe-lo…
Amo assim simplesmente,
Ouvi falar que outros não amam,
Vivem por assistir suas hipocrisias pela TV,
Mas a realidade é sempre absurda...
QUE????SURDA???
ABSURDA!!!!
SURDA É TUA MÃE....
Amo distraidamente,
Amo um amor qualquer que desconheço,
Sem pressa, sem medo, sem distância,
Apenas amores, peles e arrepios...


26 junho 2011

.



Tem dias que escrevo tardes,
Meio outonais...
Destas de folhas secas pelos caminhos,
Parecem meio tristes...
Mas são apenas folhas,
Deixadas pelo papel...

Tem dias que escrevo manhãs,
Primaveris por acaso,
Com flores nascendo preguiçosas,
Pelos arredores de nossos olhares,
Alegres, felizes e carinhosas,
Ao sabor das xícaras de café...

Tem dias que escrevo noites,
Lembrando invernos frios,
Cheios de saudades e aconchegos,
São silenciosas e distantes,
Como estrelas cadentes por contar...

Tem dias que nada escrevo,
Fico pensando em nossos verões,
Quando deixávamos pegadas pela areia...
Eram apenas rastros de amor,
Que a maré do tempo irá permanecer...