19 setembro 2010

.



Num sopro sonho da manhã,
Avistei desejos a beira d'água,
Na sede doce de teus seios...
Sorvi em doses amadas bilíngües,
Todo aquele espreguiçar de moça,
Por quanto se aflorava em corpo sereno,
Cantando seus respingos d'alma pura...
Que vez por outra surgiam em encantos,
A iluminar minhas manhãs profundas de silêncio,
Recordando daqueles amores passados triviais...
Ah que saudades de teus beijos de brisa,
Quando passavas avoadas pelos meus quintais a contento,
Espalhando teus sabores e acenos,
Alegres contidos absolutos,
Que em risos ao dia floreciam,
Para deleite dos segredos das manhãs...

"INTEMPORALIDADE I"




E...

no deserto dos homens
estrangulados pela rotina
é a ti, só a ti
que eu vejo
é a ti, só a ti
que desejo!

Como se no ápice dum instante
possuísse todo o futuro

Junto a ti,
agarrei a alegria do sol
e o fruir salgado do mar
enquanto,
com os olhos cansados de te sonhar
chorei a ausência das pontes,
a incomunicabilidade
e a solidão
que em mim se instalaram
como as garras absurdas da morte

De Daniel à Karla (poesia encomendada)




Queria tanto dizer-te minha amiga
Que o que pensamos ser besteira
Nao o é, nem há outra maneira
Senão te amando pra que feliz eu siga

Que me encanta em ti cada detalhe
Mesmo sem querer, te vejo em tudo
Mesmo sem saber, és forma e conteúdo
Feito poesia que em mulher se entalhe

Que sonho preencher um dia o vão
Entre seus dedos com a mão minha
E nunca mais te deixar sozinha
Levar no dedo o nome já no coração

E dizer-te ainda que o melhor amor
É o que sabe ser o melhor amigo
E o amor mais sincero, está comigo
Feliz ou triste como sua resposta for

18 setembro 2010

.


As tristezas virando arte
Uma arte nas ruas
Pixação de bocas
Narizes de palhaços pretos

Tudo o que os olhos vêem
A rua lotada
Não há nenhum perigo
Já não há mais tanta coisa pra pensar

O que fazer com isso?
O que fazer com tudo?

A boca fica impassivel
Gente passa de toda a parte
Mulheres andando nas calçadas e nuas
Nossas vozes de não gritar roucas

O que mais disso tem
Os postes da grande cidade desarrumada
Há tanta gente passando, eu digo
Há já agora muitas mais coisas para se pensar

O que fazer com isso?
O que fazer com tudo?

Dúvida inconsolável
Quando quedas num quarto para morrer
Já contesta a sua cidade
As suas pessoas

Partido indissolúvel
No mais de tudo ruim e de sofrer
Aprende com laços de amizades
A respirar, continuar sujeito mesmo que triste e que nunca perdoa

Incontrolável
Foge pelas mãos
Nessa manha tão cinza
Noção de qualquer coisa

Perdidos nesse universo palpável
Nem os deuses são mais sãos
Ele com a vontade tão distinta
Esquece a cidade, esquece as pessoas
Se concentra em algo que não rima...

14 setembro 2010

.



Assim
Como se sumissem as palavras
O corta luz fez-se fogo

Ilumina chama eterna dos dias
Ilumina esses vazios
Cá está uma tremedeira
Que não sei dizer o que é
Mas sei que é ruim
É muitissimo ruim

.




Amar-te-ia com vogais telúricas
Este canto acaso da paixão que sinto,
Toda vez que te vejo passando em frívolos risos,
Ao tempo deste instante aceno casual,
Para meus tímidos olhares de segredo
Que aos poucos vão preenchendo de cor,
Pétala por pétala os jeitos e gostos desta paixão...



11 setembro 2010

O Meu Tom


Pegando as sucatas das poesias criei essa
Larguei a moderação e o respeito
E com despeito, no bolso guardo minhas mãos
Joguei meus restos nesse papel nada higiênico
Tudo para expor o que há do nada somado ao vazio que sinto

Minha má trajetória não é um mito
É por vez uma solitária que se alimenta do pouco que me faz bem
Tornando meu tormento um pesadelo infinito
Um parasita que no meu corpo habita nesse momento nada zen

Da tristeza que há, mesmo que no fundo, em qualquer sentimento bom
Passado para o papel de um modo íntimo
Em letras pretas, tortas e falhas
Que almejam transparecer o meu tom.

.



Podia ser diferente,
Se não perpetuasse tanto neste princípio rotineiro,
De vagar aos tropeços pelo dia sussurrado,
Buscando algo diferente neste universo sempre igual...
Por vezes ainda me vejo longe daquele sonho,
Quando vivia num casulo momentâneo das razões,
Sorrindo da ilusão dos loucos,
Para puro deleite de minha vã filosofia...
Outros tempos viriam e num espelho se refletiram,
Como se escutasse a mesma melodia infinitamente,
Sem perceber o tempo me aprisionando,
Em seus redemoinhos casuais...

.


Muito se é
Muito pouco
Pouco de muita coisa sobra
Vende-se o nada
Aluga-se o tudo
Somos poucos
Um pouco em cada coisa
Não sabemos direito a força
Há forças nesse mundos
Imperiais
Magestosas
Hérois errantes
Destruidores de vilas
Conquistadores de impérios
Vigas em ciclo perpétuo
Construções em toda a parte
Em multiplos lugares
Errôneos, quase sorrateiramente
Fechados nunca

Quando muito se perde
Quando muito se ganha...
Quando tudo pede um pouco mais de calma
Compaixão, facilidade, acesso, caminhos
Pontes, estradas, rodovias
Metrôs, trens, aviões
Cidades, Municipios, Estados
Países, mundos, galáxias,
Universos...
Anos luz de distâncias
Desse martelar arterial
Bombeando o coração
Em forma elíptica
Através de toda a órbita que fingimos desconhecer completamente...

Um Moinho


A travessia é dura
Dias de chuva, noites de frio
Dias bem quentes, noites sombrias

Nesse caminho confuso
Nessa estrada sem placas
Entre o reto e o obtuso
Todos afogam suas mágoas

Com a bota furada
Pisando em barro ou em pedra
Pronto em pé ou na queda
Tiro o melhor na caminhada

Se encontro uma rocha grande
Serve para descansar
Se encontro um mar
Sou filho de navegante

Se a fome quiser ser minha sombra
Como um pedaço de pão
Se não saciá-la
Posso matar um leão

Tudo posso e tenho
Se a força não me faltar
Como um moinho de água
Que mesmo se o poço secar
Usa o vento pra roda......
Nunca parar de girar.

Praias em dia bom e fugidio

O andar desprotegido
por areias mansas
nestes dias de ressaca
amena, o quanto sorvi
deste mar tranquilo, do meu peito
insone,
foi desconcertante, sereno
e justo o sono entre os braços
dos anjos dos montes
de todas
as direções.
Éramos homens apenas.

05 setembro 2010

Os quatro elementos


Meu nome não é forte, mas nem precisava ser.

Se não conto com a sorte pra o que tenho me prover.

Caminhos da minha vida sempre foi lugar comum.

Mas sinto que, por dentro, não sou apenas mais um a vagar.

A espera que a vida possa me ensinar a curar toda a ferida, que teima em não cicatrizar

Não gosto dos meus versos, de rimas baratas.

Percebo que pra mim, sentir é mais fácil que falar.

Queria ter o dom de todas as palavras, perfeitas,exatas pra que você entendesse, o que não consigo explicar.

Que é só pelo sentimento que posso transcender meus holocaustos, meus lamentos e assim me conhecer.

Tento encontrar em formulas a face da minha verdade, mas nem mesmo consigo controlar esta ansiedade.

Não sou um sonhador, só um homem com muitos sonhos, planos, desenganos.

Talvez só falte em mim a dose de realidade.

Na verdade é na grandeza do universo eu posso flutuar.

Mas, se minha vida é um sonho, preciso acordar e viver.

No sol que invade a serra, no riacho que desce o morro.

No ódio que vem da magoa de não saber amar.

Na força que vem da terra, na febre que arde o fogo, na mansidão desta água e na leveza do ar.


Não, não guardo ilusões de abrigo
Só anseio por caminhos e labirintos
Eles me invadem sem pedir licença
Torturadores silenciosos que são
Não esperam meu próximo gemido
E já me condenam à próxima dor

Lastimosa presença soturna
me embriaga de desesperança
Para que minha visão se alterne
Entre cegueira insensata
E luminosidade angustiante
A loucura me acalma

A crueza da vergonha me cerca
Por saber que não me pertenço como deveria
Pois fui predestinada a ser Deus
E sou só ínfima vontade perdida
O meu ventre me condena pela fertilidade
Mas me liberta pela volúpia

Lúgubre sentença de excomunhão
Minha fogueira é sempre maior
Do que a minha devoção ao caos
É como chama que se alastra
E licenciosamente me condeno ao prazer

Torturadores se pasmam
Diante da minha indecente indiferença
A minha carne reage ao chicote
Com o desdém dos que estão mortos
Mesmo assim eles se refastelam
Na esperança do meu gemido


03 setembro 2010


Choviam flores margaridas pelo quintal,
Minha pele sentia o roçar dos beija-flores passando,
E algumas rugas já surgiam nos leitos dos rios,
Era época de antigamente...
Uma criança tímida observava num canto a meia luz,
O movimento dos clarinetes em seu arvorecer soturno,
Que num sopro infinito invadia o silêncio dos sonhos...
Logo chegariam seus desejos e apetrechos...
Viriam para seu despertar incógnito...
A criança crescera... era um menino agora...
Seus antigos sonhos sobrevinham ao tardar dos olhares,
Entre beijos de jasmins cor de açúcar e perfumes de terra achocolatados,
Era primavera nos confins dos amores...
Mais uma vez o menino retornava para seus antigos sonhos,
Onde ficava a devanear com seus olhinhos solitários,
Os encantos curiosos de sua outrora infância,
Por tantas vezes um paraíso de ramalhetes risonhos,
Por tantas outras vezes um segredo de lágrimas casuais...

Palavras no Ostracismo



Buscando palavras certas e não acho
Me desfaço para encontrar, me acabo
Em uma sombria mente vazia, capacho
Encontro algo sem importância, pequeno
Mastigo, torço, espremo, para sair algo
Minha amargura do "procurar" fica ameno
Começa outra no lugar, novamente
O que fazer com as poucas palavras, tormento.


Não consigo sinceramente me recordar de você
Só sinto você em todo lugar que vou
Não me vêem figuras
Não existem imagens, na verdade
Voando em passarinhos
Correndo em cachorros
Depois dos vidros enxergo cristais
O vinho está tudo nisso
E nesses copos e cálices que tomo
Nem ao menos o seu beijo me entorpece
...

28 agosto 2010

E se foi um dia.

















é difícil prever minha volta,

os caminhos tão ralos e outros,
os saltos no escuro da mente,
perplexa,
convulsões da alma.

é difícil prever meu retorno,
tantas pontes caladas
de água,
os barcos parados no porto,
mais nada!


05 junho 2010

Sepulcro


Sobre meu corpo macilento,

sobre os escombros de meus ossos
desolados,
sobre meus sonhos amargos,
meus pulmões,
sobre as vísceras,
joguem terra!

Sobre o orgulho acalentado,
sobre meu ego,
meu intestino delgado,
sobre a íris e a hipófise,
minhas rimas,
meus versos e reversos,
joguem terra!

Sobre o riso que não dei,
sobre a fome,
mãe do esquálido.
Sobre o amor natimorto,
sobre o morto,
joguem terra!

Sobre as moedas
que acumulei,
sobre os cofres e os segredos,
sobre células e glândulas,
sobre as têmporas,
joguem terra,
joguem terra!
primeira | < anterior | próxima > | última



Eu quero ter aquele que amo
Deitado na cama
Com a mão no meu peito
Sua mente na minha
Meu por inteiro
Um mundo inteiro!
O bem do corpo em paz!

Eu quero ter este que amo
Deitado na cama
Em cima de mim
Sua lingua na minha
Seu sexo no meu
Meu por inteiro
A noite inteira!
Meu, tua, nosso, teu, tu...
O bom e o bem do corpo em paz!

A Poesia.



É incrivel como a poesia,
esta amiga incontestável,
a que vem em horas mortas,
tardias,
nos embala, nos conforta
e fica conosco,
serena ou ríspida,
contemplativa,
não importa,
exercendo toda a sutil cumplicidade
de uma dama de companhia.
Do que nos dita a alma,
declama.
Do que sentimos,
compactua.
Do que morremos,
vai conosco,
nos acompanha,
em mesma barca, mesma hora,
mesmo dia.

Felicidade, Sentimento Imponente

Começo dizendo que tudo que fui, que sou, e que um dia serei, basta saber uma coisa, haverá felicidade sempre, por que essa necessidade constante de ser feliz?
É obrigação, vaidade, é uma doença que invade o ser, desde a infância quando ainda começa a dar os primeiros passos em direção aos primeiros brinquedos, indo de encontro às primeiras pessoas, querendo ser feliz, arrumar distração. Se todos olharem para trás irão perceber que foi assim, e se seguirá assim eternamente, enquanto vivermos, uma procura por um sentimento que nem ao menos é palpável, mas que é maravilhoso e recompensável.
É de dentro para fora e de fora para dentro, é redundante, é uma metáfora ou pode não ser, não importa, o que vale é sentir. De tudo que temos de melhor, é ela o melhor, de nada vale o amor se não houver a felicidade, ela é dona de todos os sentimentos, dona de todas as riquezas, da ignorância a cultura, do pobre ao rico, do mais velho ao mais novo, nem todos nós somos capazes de amar, mas todo ser vivo é capaz de ser feliz!
Até para morrer queremos morrer felizes

27 maio 2010

Por nós.






Só por nós
raiou o dia,
só por nós a alegria
retornou.
Um bom banho de água fria,
o beijo que eu queria,
só por nós raiou o dia,
céu dourou
.

26 maio 2010

Uma Viagem Musical através das côres de Embu das Artes



Embu das Artes hoje é parte de São Paulo. Com o crescimento da capital, a antiga vila, da época dos jesuítas ficou encravada entre condomínios, fábricas e bairros populosos. Entretanto, a parte histórica da cidade, nos arredores da Igreja Nossa Senhora do Rosário, manteve-se muito preservado, apesar do crescimento de Embu.
A partir da década de 60, este centro histórico ganhou seu charme. Uma forte comunidade de artistas e artesaos elegeu a cidade como base para suas atividades, mudando-se para lá. E logo floresceu a famosa feira de artesanato de Embu, visitada hoje por milhares de paulistanos nos finais de semana.
E em torno da feira surgiram as lojas, os antiquários e os bons restaurantes, tornando o lugar um excelente destino para quem está em São Paulo. É comum ver nas ruas paulistanos ciceroneando
visitantes que desejam respirar ares menos agitados, num passeio tranquilo de um dia. O programa: passear pela feira, conhecer a igreja, os antiquarios e lojas e depois almocar ou jantar.

Para os amantes da história do Brasil, visitar a igreja e o museu anexo, é uma rara oportunidade para se conhecer a arquitetura da época dos jesuítas, já que pouquíssimos monumentos dessa época se encontram preservados no país.

14 dezembro 2009

"BREVE PENSAMENTO"




Existe no silêncio
um grito de harpas
desamparadas

como se viúvas
da música das palavras.

Porém não chores
a eternidade aprende-se
escutando o vento.

Céu - Malemolência

06 dezembro 2009

##



Paradoxos diversos...
Neste mapa de olhares,
Segredavam dizeres,
Cândidos pomares de frutas meigas,
Servidas ao cair da tarde,
Entre beijos e confidências,
Porquanto o céu vestia-se de crepúsculo,
Num tom avermelhado escuro,
Trazendo em colo a lua,
Meio tímida encoberto por nuvens,
Que refletia nossos corpos,
Meio nus deitados estirados complacentes,
Somente bebendo o luar e suas magias,
Vivendo todo o infinito segundo,
Que nos tragava docemente,
Por devaneios de risos primaveris,
Fazendo florescer em nossas mentes,
A púrpura razão do amor ocasional,
Que tão felizes buscávamos,
Na paradoxal rotina de nossos viveres...

Nostalgia



Os casacos de invernos passados
podem esconder tesouros nos bolsos
que às vezes,
simplesmente
Não vemos o vento do outono
trazer pela janela

Os bem-te-vis
falam mais por nós
Enquanto procuramos os ninhos
que não estão mais lá
Os ninhos
que deixamos partir

Fatos, fotos,
que nem precisam estar no papel,
despencam suaves como penas
E se unem
numa colcha de retalhos,
as águas todas
de um mesmo oceano

Na pele e a Morte.



O arrepio na pele que gela
o sangue
decerto altera o pulsar da mente.
Basta ver um guerreiro valente
que se depara
em breve instante
com a morte traiçoeira.
A traiçoeira morte não permite defesa,
é cruel, é fria, é coisa de gente.
Os homens que transitam por shoppings estão barbeados e não temem a morte.
As mulheres no fast-food conversam sobre os cabelos e não temem a morte.
O garoto do delivery, o cão-pastor da Polícia Militar, alguns psicopatas,
os transcendentais,
nenhum deles, que conheço ocasionalmente,
temem a morte.
Mausoléus silenciosos e muros petrificados escondem
as vidas que pulsam no além, dizem.
Que pulsam e não é no além-mar,
que esgotam todas as possibilidades do viver e estão reclusas.
Os insaciáveis e os antagônicos em debates intermináveis...
trapos puídos engavetados!
Silenciosos orgasmos de seres tiranos,
navegadores de oceanos que buscam
frenéticos
os seres das grutas escuras.
O arrepio na pele pode ser um aviso.
O arrepio é o toque do cetro do mago e do nada,
enquanto girando o momento esperado sangrar
.

Eu Quero a Eternidade




Estradas floridas com girassóis
União do amor com a paz

Quero percorrer o seu caminho
Utilizar um trajeto feito por nós
Embriagar-me de sua paixão
Resolver seus problemas nunca sozinho
Organizar sua vida de contramão

Abrir um leque de soluções

Eternizar as saídas
Trabalhar muito para termos o melhor
Enriquecer de saúde
Rir do meu próprio suor
Na beleza de ter plenitude
Indo e vindo com você do meu lado
Doar sem querer nada em troca
Algum lugar para ser coroado
Dúvidas, muito poucas, existirão
Estaremos sempre além do certo e do errado.

[clarificação.]



A escuridão não me deixa caminhar
Ir tão longe que perde aos olhos
Olhos que não secam
Passam noites afogados
E os dias escondidos
Escondidos nos sorrisos que não existem
Tento correr
Tento fugir
Não posso
Dou a cara à tapa
Dou o corpo aos murros
Doo os lábios aos beijos
Fujo da multidão
Mergulho em mim, encontro o nada
Tento sonhar, quero viver
Inalar
Respirar felicidade
Aspirando liberdade
Sinto os bons ventos
A cor da água
E o cheiro doce
Faço-me luz.

[o ciclo.]



Achei que minha respiração não mentia
Que minha essência não se enganava
Mas não
Aqueles olhos que outrora refletiam o sabor que emanava de seu sorriso
Cerraram
Aquela boca que ontem não proferia outro som que não fosse o amor
Calou-se
Despencando como um corpo gélido e sem cor
Para a não gravidade da solidão
O breu mais uma vez esfriou o chão do quarto
E o resto da casa
Desmetamorfoseou a borboleta
És lagarta outra vez
Que transformação é essa?
Que um dia é Luz,
Outro dia sou eu?

Algumas imagens de respiração atemporal



Quando nada lhe prende a nada
E tudo está tão ridículo
Quanto natural
É que não preciso nem gostar do que aparece
Mas se aparece e me faz calar por instantes transparentes
E me deixa horas refletindo
Sobre praticamente seus mistérios
Seus problemas
Seus gozos
Suas áureas
É que em fios de ouro
Cai em mim gotas espessas
Dos sonhos mais puros
Das melhores lembranças
Do velho balanço
Do meu sorriso em seus olhos
Do toque sem querer
Distante de tudo
Perto do nada
Na escuridão das almas que o tempo levou
E traz de de volta em um livro
Em um filme
Em uma careta
Em nosso amor
Tão dissonante como o coro de guitarras humanas
Em um precipício
Caindo em desesperos entre as cordas
Mas feliz
E olha que nao gostava tanto assim

#



Li no jornal...
Que o mundo pirou, enlouqueceu...
Que ninguém se achou naquele fim,
Que até o doutor se perdeu por fim,
Que o meliante se arrependeu do acontecido,
Que a rosa murchou na porta dos apaixonados,
Que o amante fugiu solitário pois não encontrou ninguém para amar,
Que o assassino se matou antes de matar a suposta vítima,
Que o poeta esqueceu das palavras pelo caminho,
Que o cachorro sem dono se perdeu na encruzilhada da rua paralela,
Que o mar secou inundando a terra seca,
Que o vento parou silenciando os gemidos no varal das roupas,
Que as lágrimas se espalharam pelo chão deixando suas rugas sem nome,
Li no jornal...

05 dezembro 2009

A Contração



Conforme as águas daquele rio passam,
perto as rochas se arrepiam
Rocha mole contrai um nervo
E dilata as veias
Para que se deslize suavemente entre elas
seu contorno inteiro

Mas enquanto o tempo passa,
e ele não carece motivo,
ainda é hoje

E hoje-ontem e amanhã-hoje
As folhas do calendário se esculpem,
pedra sólida e pura,
Nas rochas oculares que capturarão
o mundo e o esculpirão,
pedra maleável e diversa,
Para si

Mas não!
Trago uma caçamba cheia de hojes que,
água murcha e pálida,
Enverniza.
Remove aquelas digitais
amassadas na pedra com paixão
Lixa o suor
deixado na veia da pedra pelo trabalho

E o céu de dia é tão simplesmente azul
O fogo é tão simplesmente vermelho
As comidas tem somente o próprio gosto
Meus pés sentem o chão somente
Minha pele sente a pele somente
Minhas artérias sentem o sangue somente!

Mas basta...
Basta a presença
água flamejante e concreta
Para iniciar em rodízio as engrenagens
Engrenagens a girar, a dobrar, a rir
Incendiando o céu em fagulhas verdes,
um suave aroma de incenso,
êxtase pleno

30 novembro 2009

Só um lembrete do Quintana ...

'A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê,
perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo,
a única falta que terá, será desse tempo
que infelizmente não voltará mais.'
Mário Quintana


08 novembro 2009

Caravanas



O vento sopra na estrada
Ouve-se passos
Algo oscila
Passam-se as caravanas

O vento sopra na estrada
Ouve-se passos
Algo oscila
Passam-se as caravanas

O vento sopra na estrada
Ouve-se passos
Algo oscila
Passam-se as caravanas

O vento sopra na estrada
Ouve-se passos
Algo oscila
Passa-se enfim todo o ser humano

Afectos"




Assim pouco a pouco
Cai a distância como bruma
Espessa e quente
Nos frágeis fios da teia dos afectos...
Qual estranha espuma dissolvente,
Parte um, depois outro,
Até que o nada se instala sem aviso!
Logo falamos estranhos línguas,que não o mirandês
Palavras soltas como gumes escondidos...
Fechada que é a alma,
Selados os sentidos...


"CANTICO DO AMOR AUSENTE"



Como as cordas do meu violino sem música
vibras em todas as aldeias do meu sangue
onde tudo começa e onde tudo acaba
e tu, ainda circulas como um barco
por vezes sem rumo e sem vela

Te fizeste raíz e tronco
na terra árida por alvorecer
onde semeaste rosas,
girassóis e verdes Eras
e na alta chaminé
ateaste o lume e o fumo
duma fogueira ardente
de primaveras
que o Outono teima
em fazer acontecer.

Quisera recuperar o fogo
e as alegrias de outros momentos
e de novo te esperar na janela
que em Junho se abria de par em par
para contigo sonhar as fantasias
que como um jogo
sempre tinhas para contar

Quisera recuperar todas as notas
desse meu violino esquecido
a emoção e o Hino da Alegria

como celebração de nosso destino
.

x




Quando o dia não for mais dia,
E a flor que desabrochara na manhã,
Deixar cair suas pétalas ao vento,
E aquela gente toda apressada,
Na fila do trem lotado,
Naufragar nos bares obscuros,
E o sino que feliz anunciava
O raiar de mais um dia,
Estiver enfim adormecido,
Nesta hora por certo ainda estarei,
Pela janela de meu quarto sozinho,
Na espreita a esperar,
O despontar de teus passos miúdos,
Surgindo no silêncio dos horizontes,
Num andar sem pressa de chegar,
Sorrindo teus destinos indecifráveis,
Acenando-me num gesto quase despercebido do olhar,
Despertando o sabor de antigas paixões,
Esquecidas no musgo do cotidiano,
Fazendo-me crer ainda que tarde,
No sentido belo daqueles sonhos de criança,
Quando acreditava em amores e magia,
Quando sorria pequenos risos de viver...

Caixa de Sentimentos




No vazio do meu ser
Minha alma padece
Agonia, solidão
Desprezo, satisfação
Um individuo solitário
Ostracismo de um coração
Guardo toda minha mágoa
Guardo o nada, guardo o vão
O vazio do saber
Passo tudo para a vida
Meus segredo mais secretos
Escondidos a sete chaves
Indigestos e indiscretos

Tenho Fé




Tenho fé no futuro
Tenho fé no presente
Mas não tive no passado
Incoerente!

Saudade do que fui
Saudade de quem partiu
Saudades de quem me viu
Saudades do que até serei
Loucura

Mas tenho fé no futuro
Nesse mais próximo
Nesse mais duro
Nesse mais lógico

07 novembro 2009

DE TUDO QUE PENSO




Faz-se poesia
da alma
algodão doce, criação
Esperança de letras que caem do céu da imaginação
a mais pura arte, pura magia, suor das tintas
emoção escrita que não tem momento
Só tem sentimento
nunca tem máscara a não ser que o poeta queira
Absoluta certeza, ou não
Uma calibragem de amor e ódio
Passos largos, passos longos
Dizer "te amo" é fácil
Escrever "te amo" é quase impossível
não caberia em mil resmas
mas mesmo assim tentarei.

01 novembro 2009

Silêncio




E no silêncio
Ouvi meus pensamentos
Como se não tivessem fim

E do silêncio
Apenas restou a mim
Como partes tuas aqui dentro

E na ausência de tudo
Eu encontrei o perfeito
Visto não haver defeito
Como lembro-te igual agora

E ao ouvir voz e mudo
Tua voz sussura sorrindo
Pouco a tanto se esvaindo
Como fosse de dentro a fora
81 CP PP

19 outubro 2009

A Outra de Mim




Pensam vocês que sou eu aqui?
Eu sou outra
Que me sopra palavras.
Essa outra que me apossa,
Converte-me em alguém que não sou.
Revolta meus pensamentos,
Devora as minhas horas.

Faz-me escrever confissões
Desconhecidas por mim.
Põe desordem em meus dias,
Engasga-me de inusitadas paixões.

Quando ela se aparta de mim
Escrevo para lembrar-me depois.
Sei o que sou agora e o que serei a dois.
Marco meus passos,
Esquadrilho meus cantos.
Tenho que ter o fio,
De volta a minha meada.

Ela me adorna de coisas,
Que nunca vi e de antemão,
Digo que sou a outra
Que delira em meu coração.

Faz-me crer que estou louca,
Que não vivo mais em mim,
Que moro num transatlântico,
Sequer num barco subi.

De minha vida sou naufraga,
Eu nada sei, nada vi;
É outra quem me comanda
Navegando dentro de mim.

28 setembro 2009

20 setembro 2009

Solitário e Final




Sim, nós compartilhamos bons papos
e caminhadas e pizzas e o mar
nos envolveu
e trouxe alguma alegria
a nossos corpos molhados.
Mas a alma pedia,
implorava um ar menos pesado
naquela ocasião.
Foi assim durante a sessão de cinema,
entre o cálido beijo do mocinho na mocinha
depois da prisão do bandido,
na penumbra da sala,
quase no fim entre eu e você por um triz.
A dificuldade no olhar embotado,
aquela estrela brilhante de xerife,
o sorriso morno e a pipoca fria.
Não me contive e gritei um grito de encantar.
Você sorria e então as luzes foram acesas.
Acabou-se em segundos a magia e levantamos.
Nos perfilamos lado a lado,
nos tínhamos encoleirados,
ambos soltos,
Bichos soltos.
Nos pusemos prá fora e prá fora andamos
embora,
assim contentes,
voltássemos a ser quem fomos
um dia
antes de nascer.

*



por tanto iludir, teu realismo pasmo
e te espanta meu encanto, ficas perdida
e como seguir ao mesmo entusiasmo
se a esperança pouca quer perdida

ao que indiferença seja teu desejo
e por teu segredo, reavivo e inspiro
a esperança, e ao dizer o que almejo
meu maior grito é ainda um suspiro

e se sobra do silêncio, estar perto
meu passo não vai em tua direção
vão os passos contra o pensamento?
ou não possa um segredo ter ação?

e se sobra em segredo, olhar pra ti
ver teus olhos me contentem o peito
e se os teus seguem por outra parte
me instiga o que pensas ao teu jeito