21 maio 2009

Caixa de Pandora




Pensamentos e pensamentos me atrapalham os pensamentos
Devaneios sobre o passado atrapalham algumas lembranças
Restringindo minha vida a curtos períodos de vida
Onde fico esperando a gravidade ficar contrária


Torço pra que a terra gire no sentido contrário
Que o sol se apague e que a lua me sustente
Espero que os mares cubram a minha cabeça
E que crie guelras pra aprender a conviver em outros meios


Olho para baixo tentando encotrar nuvens
Tenho impressões de que elas estão ao meu redor
Da minha boca saem palavras belas...mortas
Prontas para serem escritas na lápide de um indigente


Radicalmente afastado do mundo
Rompendo a barreira da solidão


E assim começo a viajar dentro de uma pessoa insuportável
Um eu que está começando a me prejudicar
Mas que todos tem em comum


Cada um com sua Caixa de Pandora.


19 maio 2009

Solidão



Solidão é olhar pela janela
E ver a multidão se rastejando
É estar cercado de gente
Ocupada o suficiente
Para não olhar ao seu sorriso

Solidão é nevar durante o ano todo
Aquela geada impiedosa,
A ponto de congelar o fogo
E trincar o coração,
Sem nenhum agasalho para vestir

Solidão é ver as vigas de sustentação desmoronarem
E não fazer nada;
Querer dormir.

15 maio 2009

Eu poeta




Sei que no fundo nada do que eu vejo existe
o mundo inteiro se converge em ilusão.
No descompasso entre a existência e a razão
na minha mão, meu coração bate tão triste...

Sei que não faço tudo aquilo o que eu faria
se por um dia eu fosse eu inteiramente.
Na qualidade de interino permanente
abraço a fraude de viver em poesia...

E nessa vida que eu sei que é provisória
vou emitindo promissórias sem valor.
Num desamor a minha vil mas própria história

escrevo a mim qualquer jardim que tenha flor!
Notoriamente o eu poeta é a escória
da fundição do eu normal e a sua dor.....



Roberto

13 maio 2009




Ainda me restam amores...
Com seus nomes escritos,
Nas bordas das páginas,
Que volte e meia visito,
Para lembrar momentos,
Viveres de ontem,
Jamais esquecidos...
Lembro das brincadeiras,


Dos primeiros beijos,
Nossos segredos,
Nossas alegrias de criança,
Correrias pelas areias,
Fazendo castelos, sonhos...
O mar todo nosso,
A lua chegando a nos acompanhar,
Com seu véu brilhante,
Os pescadores e suas redes,
Estávamos alegres no vai e vem
Das ondas...
Ficaríamos por infinito no tempo,
Assim...
Abraçados, confidentes das caricias,
Sorrindo simplesmente o passar do tempo,
Amigos, amantes soberbos, loucos apaixonados,
Divagando nossas fugazes percepções,
Descobrindo os lugares de cada um,
Seus segredos, seus jeitos,
Nossos sabores...




noiTe

Olhos Castanhos avulsos



O indizível
O irrefutável
Por entre traços doces e simples
De seu sono
Pela força de tantas quimeras
É que dizem tanto
E tanto
Que talvez
O mais dito
As palavras mais fortes
Se tornam
Poemas de amor
Poemas de suicidas
Poemas que trazem
As coisinhas mais simples
Reveladas nesse teu jeito
Nesse teu sono
Nesse poema de paz
Que a nada revela
Mas revela tanto...



Marcel Rei


Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.



Cecília Meireles

09 maio 2009

Jaula


Quatro paredes
Elas falam
Gritam
Gemem
Ao mesmo tempo

Quatro paredes
Elas me cercam
De todos os lados
Sem saída
Há apenas uma porta
Que me traz coisas que não quero conhecer

Amor
Odio
Amizade
Sofrimento

Pra que tanto sentimento?
Pra que tanta satisfação ao coração?

Quatro paredes
Elas são mais que o suficiente
Companhia para a eternidade
Talvez um dia eu as pinte
Só para variar um pouco
Mas só passarei a primeira mão
Se não gostar, posso restaurar a parede antiga

Mas espere...há um furo na parede
Um olho mágico
Mágico olho que observa o mundo
Mágico olho que me mostra ao mundo

Sou um animal
Enjaulado
Preso no submundo de paredes
Num submundo de medos e impedimentos

Vivo dentro de minha razão!

06 maio 2009

Desejos


Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu


Drummond

As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Drummond

03 maio 2009


No nó de mim,
Uma ponta de fio surge...
Se puxares,
Num mero fiapo firarei,
E como poderei eu,
Emaranhar nossos olhares,
Outra vez...



noiTe

29 abril 2009

Travessia



Calaboca não fale mais nada,
eu preciso sumir ou torcer
pra não cair demais e correr
pela rua até sangrar o peito
todo
porque eu te amo,
sem necessidade.
Não tenho vontade, não tenho saudade.
Nada do que você disser vai me convencer
de que nada do que você disser
durante ou depois ou nada mais
vai me levar a crer que te amo.
São palavras complicadas e não sou eu
complicando palavras que não dizem nada.
É o absurdo,
o contratempo de existir entre o entulho,
fagulhas e fragmentos.
O ledo engano que vem,
pragmático,
o trauma, o sono.
Calaboca desta vez não fale mais nada portanto.
Me arranque daqui, do teu jeito.
Pode ser.
Solte este nó que me prende ao leito.
Quero água. Água da fonte,
atravessar a ponte
como qualquer sujeito.


Adonis K.

26 abril 2009

Saudades


Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tivemas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...

Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...




Clarice Lispector

25 abril 2009

Eu Juro




Que não te amo mais
todo mundo sabe,
saiu ontem nas ondas do rádio.

Que tenho dormido bem,
nem sei com quem,
que não viajo mais.

Que meu cão morreu
de colapso
e eu quase fui junto,
assim, de veneta.

Que acabou a emoção de assistir ao teu show.

(é mentira)
Que acabou a grana,
a gana,
o sonho acabou.

Gasolina na reserva,
eis o estágio,
O tempo.
Na reserva de um círculo tendencioso,
Oculto.

Que soube de tudo depois que as portas foram fechadas
todo mundo sabe,
houve previsões.
Luzes apagadas...
Houve um aborto.

Que não bebo mais um gole
sózinho,
que rasurei o mapa da mina,
que venci os degraus da peste
todo mundo sabe,mas ninguém viu.

Nosso mundo, querida,
partiu.
Eu fui de trem,
batendo dormentes.
Você de navio.


Adonis k

28 março 2009

Cantiga para Celina

Celina, Celina,
guerreira menina,
menina guerreira
de toda maneira
o sol te ilumina.

Tu vais e tu vens
e tudo que tens
se espalha, se inclina,
luar na campina,
o gosto e os vinténs.

Celina querida
amiga da vida
de todos os jeitos:
ruins ou perfeitos,
chegada ou partida

Tu vens e tu vais,
levantas e cais,
curando feridas
na força contida
no que tens a mais.

Celina guerreira,
és sempre a primeira
nos jogos fraternos,
fugazes e eternos,
no centro ou na beira.

Eu sou teu amigo,
tu és minha amiga
e o mais que se diga
é menos que a viga
de amor que nos liga
e eu canto contigo.


* Ganhei do Rogério editado no "Rosto de Muitas Cores"


Em teu rosto de muitas cores
eu perco as minhas.
Mas não me importo


Em teu rosto de muitas cores
meu sonho de ser pintor
nem precisa se realizar.

18 março 2009


A distância que você consegue percorrer na vida depende da sua ternura para com os jovens, compaixão pelos idosos, solidariedade com os esforçados e tolerância para com os fracos e os fortes, porque chegará o dia em que você terá sido todos eles.

George Washington

09 março 2009

Guerra dos Sexos




Humor
Sociedade
Cultura
Amizade
Relacionamento
Maternidade
Procriação
Continuidade da espécie
Família
Autoridade
Poder
Educação
Transmissão de valores
Submissão
Violência
Polícia
Direito
Leis
Trabalho
Profissão
Carreira
Salário
Escravidão
Guerra e Paz
Saúde
Arte
Beleza
Vaidade
Voluptuosidade
Desejo
Sexo
Amor
Maturidade
Preconceito
Cidadania
Respeito
Parceria
Igualdade


São muitos os aspectos onde aparece a “Guerra dos Sexos”.
Essa é só uma das sequências possíveis.
Faça a sua.

06 março 2009


"Não se deve esquecer a seguinte regra: o inconsciente de uma pessoa se projeta sobre outra pessoa, isto é, aquilo que alguém não vê em si mesmo, passa a censurar no outro. Este princípio tem uma validade geral tão impressionante que seria bom se todos, antes de criticar os outros, se sentassem e ponderassem cuidadosamente se a carapuça que querem enfiar na cabeça do outro não é aquela que se ajusta perfeitamente a eles."


Carl Jung

02 março 2009


Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”. Quem atribue à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.


Albert Einstein


'Use vírgulas para separar as experiências boas das más.
Reticências para quem lhe faltou em alguma situação.
Salpique exclamações na sua vida.
Abuse das interjeições de felicidade.
Faça uma revisão nos seus sonhos.
Tome decisões com letra maiúscula.
E coloque ponto final na tristeza.


O otimismo na dificuldade reduz o mal à metade.'