
Como se sumissem as palavras
O corta luz fez-se fogo
Ilumina chama eterna dos dias
Ilumina esses vazios
Cá está uma tremedeira
Que não sei dizer o que é
Mas sei que é ruim
É muitissimo ruim




Meu nome não é forte, mas nem precisava ser.
Se não conto com a sorte pra o que tenho me prover.
Caminhos da minha vida sempre foi lugar comum.
Mas sinto que, por dentro, não sou apenas mais um a vagar.
A espera que a vida possa me ensinar a curar toda a ferida, que teima em não cicatrizar
Não gosto dos meus versos, de rimas baratas.
Percebo que pra mim, sentir é mais fácil que falar.
Queria ter o dom de todas as palavras, perfeitas,exatas pra que você entendesse, o que não consigo explicar.
Que é só pelo sentimento que posso transcender meus holocaustos, meus lamentos e assim me conhecer.
Tento encontrar em formulas a face da minha verdade, mas nem mesmo consigo controlar esta ansiedade.
Não sou um sonhador, só um homem com muitos sonhos, planos, desenganos.
Talvez só falte em mim a dose de realidade.
Na verdade é na grandeza do universo eu posso flutuar.
Mas, se minha vida é um sonho, preciso acordar e viver.
No sol que invade a serra, no riacho que desce o morro.
No ódio que vem da magoa de não saber amar.
Na força que vem da terra, na febre que arde o fogo, na mansidão desta água e na leveza do ar.

Não, não guardo ilusões de abrigo
Só anseio por caminhos e labirintos
Eles me invadem sem pedir licença
Torturadores silenciosos que são
Não esperam meu próximo gemido
E já me condenam à próxima dor
Lastimosa presença soturna
me embriaga de desesperança
Para que minha visão se alterne
Entre cegueira insensata
E luminosidade angustiante
A loucura me acalma
A crueza da vergonha me cerca
Por saber que não me pertenço como deveria
Pois fui predestinada a ser Deus
E sou só ínfima vontade perdida
O meu ventre me condena pela fertilidade
Mas me liberta pela volúpia
Lúgubre sentença de excomunhão
Minha fogueira é sempre maior
Do que a minha devoção ao caos
É como chama que se alastra
E licenciosamente me condeno ao prazer
Torturadores se pasmam
Diante da minha indecente indiferença
A minha carne reage ao chicote
Com o desdém dos que estão mortos
Mesmo assim eles se refastelam
Na esperança do meu gemido




