14 setembro 2010

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Assim
Como se sumissem as palavras
O corta luz fez-se fogo

Ilumina chama eterna dos dias
Ilumina esses vazios
Cá está uma tremedeira
Que não sei dizer o que é
Mas sei que é ruim
É muitissimo ruim

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Amar-te-ia com vogais telúricas
Este canto acaso da paixão que sinto,
Toda vez que te vejo passando em frívolos risos,
Ao tempo deste instante aceno casual,
Para meus tímidos olhares de segredo
Que aos poucos vão preenchendo de cor,
Pétala por pétala os jeitos e gostos desta paixão...



11 setembro 2010

O Meu Tom


Pegando as sucatas das poesias criei essa
Larguei a moderação e o respeito
E com despeito, no bolso guardo minhas mãos
Joguei meus restos nesse papel nada higiênico
Tudo para expor o que há do nada somado ao vazio que sinto

Minha má trajetória não é um mito
É por vez uma solitária que se alimenta do pouco que me faz bem
Tornando meu tormento um pesadelo infinito
Um parasita que no meu corpo habita nesse momento nada zen

Da tristeza que há, mesmo que no fundo, em qualquer sentimento bom
Passado para o papel de um modo íntimo
Em letras pretas, tortas e falhas
Que almejam transparecer o meu tom.

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Podia ser diferente,
Se não perpetuasse tanto neste princípio rotineiro,
De vagar aos tropeços pelo dia sussurrado,
Buscando algo diferente neste universo sempre igual...
Por vezes ainda me vejo longe daquele sonho,
Quando vivia num casulo momentâneo das razões,
Sorrindo da ilusão dos loucos,
Para puro deleite de minha vã filosofia...
Outros tempos viriam e num espelho se refletiram,
Como se escutasse a mesma melodia infinitamente,
Sem perceber o tempo me aprisionando,
Em seus redemoinhos casuais...

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Muito se é
Muito pouco
Pouco de muita coisa sobra
Vende-se o nada
Aluga-se o tudo
Somos poucos
Um pouco em cada coisa
Não sabemos direito a força
Há forças nesse mundos
Imperiais
Magestosas
Hérois errantes
Destruidores de vilas
Conquistadores de impérios
Vigas em ciclo perpétuo
Construções em toda a parte
Em multiplos lugares
Errôneos, quase sorrateiramente
Fechados nunca

Quando muito se perde
Quando muito se ganha...
Quando tudo pede um pouco mais de calma
Compaixão, facilidade, acesso, caminhos
Pontes, estradas, rodovias
Metrôs, trens, aviões
Cidades, Municipios, Estados
Países, mundos, galáxias,
Universos...
Anos luz de distâncias
Desse martelar arterial
Bombeando o coração
Em forma elíptica
Através de toda a órbita que fingimos desconhecer completamente...

Um Moinho


A travessia é dura
Dias de chuva, noites de frio
Dias bem quentes, noites sombrias

Nesse caminho confuso
Nessa estrada sem placas
Entre o reto e o obtuso
Todos afogam suas mágoas

Com a bota furada
Pisando em barro ou em pedra
Pronto em pé ou na queda
Tiro o melhor na caminhada

Se encontro uma rocha grande
Serve para descansar
Se encontro um mar
Sou filho de navegante

Se a fome quiser ser minha sombra
Como um pedaço de pão
Se não saciá-la
Posso matar um leão

Tudo posso e tenho
Se a força não me faltar
Como um moinho de água
Que mesmo se o poço secar
Usa o vento pra roda......
Nunca parar de girar.

Praias em dia bom e fugidio

O andar desprotegido
por areias mansas
nestes dias de ressaca
amena, o quanto sorvi
deste mar tranquilo, do meu peito
insone,
foi desconcertante, sereno
e justo o sono entre os braços
dos anjos dos montes
de todas
as direções.
Éramos homens apenas.

05 setembro 2010

Os quatro elementos


Meu nome não é forte, mas nem precisava ser.

Se não conto com a sorte pra o que tenho me prover.

Caminhos da minha vida sempre foi lugar comum.

Mas sinto que, por dentro, não sou apenas mais um a vagar.

A espera que a vida possa me ensinar a curar toda a ferida, que teima em não cicatrizar

Não gosto dos meus versos, de rimas baratas.

Percebo que pra mim, sentir é mais fácil que falar.

Queria ter o dom de todas as palavras, perfeitas,exatas pra que você entendesse, o que não consigo explicar.

Que é só pelo sentimento que posso transcender meus holocaustos, meus lamentos e assim me conhecer.

Tento encontrar em formulas a face da minha verdade, mas nem mesmo consigo controlar esta ansiedade.

Não sou um sonhador, só um homem com muitos sonhos, planos, desenganos.

Talvez só falte em mim a dose de realidade.

Na verdade é na grandeza do universo eu posso flutuar.

Mas, se minha vida é um sonho, preciso acordar e viver.

No sol que invade a serra, no riacho que desce o morro.

No ódio que vem da magoa de não saber amar.

Na força que vem da terra, na febre que arde o fogo, na mansidão desta água e na leveza do ar.


Não, não guardo ilusões de abrigo
Só anseio por caminhos e labirintos
Eles me invadem sem pedir licença
Torturadores silenciosos que são
Não esperam meu próximo gemido
E já me condenam à próxima dor

Lastimosa presença soturna
me embriaga de desesperança
Para que minha visão se alterne
Entre cegueira insensata
E luminosidade angustiante
A loucura me acalma

A crueza da vergonha me cerca
Por saber que não me pertenço como deveria
Pois fui predestinada a ser Deus
E sou só ínfima vontade perdida
O meu ventre me condena pela fertilidade
Mas me liberta pela volúpia

Lúgubre sentença de excomunhão
Minha fogueira é sempre maior
Do que a minha devoção ao caos
É como chama que se alastra
E licenciosamente me condeno ao prazer

Torturadores se pasmam
Diante da minha indecente indiferença
A minha carne reage ao chicote
Com o desdém dos que estão mortos
Mesmo assim eles se refastelam
Na esperança do meu gemido


03 setembro 2010


Choviam flores margaridas pelo quintal,
Minha pele sentia o roçar dos beija-flores passando,
E algumas rugas já surgiam nos leitos dos rios,
Era época de antigamente...
Uma criança tímida observava num canto a meia luz,
O movimento dos clarinetes em seu arvorecer soturno,
Que num sopro infinito invadia o silêncio dos sonhos...
Logo chegariam seus desejos e apetrechos...
Viriam para seu despertar incógnito...
A criança crescera... era um menino agora...
Seus antigos sonhos sobrevinham ao tardar dos olhares,
Entre beijos de jasmins cor de açúcar e perfumes de terra achocolatados,
Era primavera nos confins dos amores...
Mais uma vez o menino retornava para seus antigos sonhos,
Onde ficava a devanear com seus olhinhos solitários,
Os encantos curiosos de sua outrora infância,
Por tantas vezes um paraíso de ramalhetes risonhos,
Por tantas outras vezes um segredo de lágrimas casuais...

Palavras no Ostracismo



Buscando palavras certas e não acho
Me desfaço para encontrar, me acabo
Em uma sombria mente vazia, capacho
Encontro algo sem importância, pequeno
Mastigo, torço, espremo, para sair algo
Minha amargura do "procurar" fica ameno
Começa outra no lugar, novamente
O que fazer com as poucas palavras, tormento.


Não consigo sinceramente me recordar de você
Só sinto você em todo lugar que vou
Não me vêem figuras
Não existem imagens, na verdade
Voando em passarinhos
Correndo em cachorros
Depois dos vidros enxergo cristais
O vinho está tudo nisso
E nesses copos e cálices que tomo
Nem ao menos o seu beijo me entorpece
...

28 agosto 2010

E se foi um dia.

















é difícil prever minha volta,

os caminhos tão ralos e outros,
os saltos no escuro da mente,
perplexa,
convulsões da alma.

é difícil prever meu retorno,
tantas pontes caladas
de água,
os barcos parados no porto,
mais nada!


05 junho 2010

Sepulcro


Sobre meu corpo macilento,

sobre os escombros de meus ossos
desolados,
sobre meus sonhos amargos,
meus pulmões,
sobre as vísceras,
joguem terra!

Sobre o orgulho acalentado,
sobre meu ego,
meu intestino delgado,
sobre a íris e a hipófise,
minhas rimas,
meus versos e reversos,
joguem terra!

Sobre o riso que não dei,
sobre a fome,
mãe do esquálido.
Sobre o amor natimorto,
sobre o morto,
joguem terra!

Sobre as moedas
que acumulei,
sobre os cofres e os segredos,
sobre células e glândulas,
sobre as têmporas,
joguem terra,
joguem terra!
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Eu quero ter aquele que amo
Deitado na cama
Com a mão no meu peito
Sua mente na minha
Meu por inteiro
Um mundo inteiro!
O bem do corpo em paz!

Eu quero ter este que amo
Deitado na cama
Em cima de mim
Sua lingua na minha
Seu sexo no meu
Meu por inteiro
A noite inteira!
Meu, tua, nosso, teu, tu...
O bom e o bem do corpo em paz!

A Poesia.



É incrivel como a poesia,
esta amiga incontestável,
a que vem em horas mortas,
tardias,
nos embala, nos conforta
e fica conosco,
serena ou ríspida,
contemplativa,
não importa,
exercendo toda a sutil cumplicidade
de uma dama de companhia.
Do que nos dita a alma,
declama.
Do que sentimos,
compactua.
Do que morremos,
vai conosco,
nos acompanha,
em mesma barca, mesma hora,
mesmo dia.

Felicidade, Sentimento Imponente

Começo dizendo que tudo que fui, que sou, e que um dia serei, basta saber uma coisa, haverá felicidade sempre, por que essa necessidade constante de ser feliz?
É obrigação, vaidade, é uma doença que invade o ser, desde a infância quando ainda começa a dar os primeiros passos em direção aos primeiros brinquedos, indo de encontro às primeiras pessoas, querendo ser feliz, arrumar distração. Se todos olharem para trás irão perceber que foi assim, e se seguirá assim eternamente, enquanto vivermos, uma procura por um sentimento que nem ao menos é palpável, mas que é maravilhoso e recompensável.
É de dentro para fora e de fora para dentro, é redundante, é uma metáfora ou pode não ser, não importa, o que vale é sentir. De tudo que temos de melhor, é ela o melhor, de nada vale o amor se não houver a felicidade, ela é dona de todos os sentimentos, dona de todas as riquezas, da ignorância a cultura, do pobre ao rico, do mais velho ao mais novo, nem todos nós somos capazes de amar, mas todo ser vivo é capaz de ser feliz!
Até para morrer queremos morrer felizes

27 maio 2010

Por nós.






Só por nós
raiou o dia,
só por nós a alegria
retornou.
Um bom banho de água fria,
o beijo que eu queria,
só por nós raiou o dia,
céu dourou
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26 maio 2010

Uma Viagem Musical através das côres de Embu das Artes



Embu das Artes hoje é parte de São Paulo. Com o crescimento da capital, a antiga vila, da época dos jesuítas ficou encravada entre condomínios, fábricas e bairros populosos. Entretanto, a parte histórica da cidade, nos arredores da Igreja Nossa Senhora do Rosário, manteve-se muito preservado, apesar do crescimento de Embu.
A partir da década de 60, este centro histórico ganhou seu charme. Uma forte comunidade de artistas e artesaos elegeu a cidade como base para suas atividades, mudando-se para lá. E logo floresceu a famosa feira de artesanato de Embu, visitada hoje por milhares de paulistanos nos finais de semana.
E em torno da feira surgiram as lojas, os antiquários e os bons restaurantes, tornando o lugar um excelente destino para quem está em São Paulo. É comum ver nas ruas paulistanos ciceroneando
visitantes que desejam respirar ares menos agitados, num passeio tranquilo de um dia. O programa: passear pela feira, conhecer a igreja, os antiquarios e lojas e depois almocar ou jantar.

Para os amantes da história do Brasil, visitar a igreja e o museu anexo, é uma rara oportunidade para se conhecer a arquitetura da época dos jesuítas, já que pouquíssimos monumentos dessa época se encontram preservados no país.